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Doleiro está preso desde julho do ano passado. Ele está na sede da Polícia Federal, em Brasília, e teve o pedido de permanência no local feito pelo MPF

Doleiro Lúcio Funaro está preso desde julho do ano passado após a Operação Sépsis, desdobramento da Lava Jato
reprodução/tv senado
Doleiro Lúcio Funaro está preso desde julho do ano passado após a Operação Sépsis, desdobramento da Lava Jato

O analista financeiro Lúcio Funaro deve continuar na sede da Polícia Federal, pelo menos até o dia 28 de julho, segundo a decisão da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, nesta quarta-feira (19), que adia mais uma vez a transferência do doleiro para o presídio da Papuda.

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Esta é a segunda vez que a Justiça adia a transferência do doleiro , preso há mais de um ano, para o presídio da Papuda, no Distrito Federal, desta vez pela decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira a pedido do Ministério Público Federal.

Os responsáveis pelos dois adiamentos são os procuradores responsáveis pela Operação Greenfield , que investiga fraudes e irregularidades na administração de quatro dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do Brasil, que são o Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios).

Para conseguir que Funaro permanecesse na sede da PF, os procuradores alegam que necessitam colher “novos esclarecimentos” em relação aos fatos revelados nas investigações de duas outras operações em que ele também é suspeito de participação nos crimes investigados: a Sépsis , que apura irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa; e a Cui Bono? , que investiga a fraude em operações financeiras autorizadas pela vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias e pela vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa.

Funaro é testemunha-chave nos processos que envolvem o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os ex-ministros do governo de Michel Temer, Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). 

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Ele estaria interessado em fechar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, embora sua defesa negue que existam as tratativas.

Crise política

Funaro está preso desde julho do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Sépsis, um dos desdobramentos da Lava Jato. Sua permanência na PF teria o efeito de facilitar o contato direto com os procuradores das operações.

O nome do analista financeiro está no epicentro da crise no governo Temer depois que o empresário Joesley Batista, dono da JBS, entregou ao MPF uma gravação na qual supostamente negocia com o presidente o pagamento de uma propina no valor de R$ 500 mil para que Funaro e Cunha permanecessem calados diante das investigações da Lava Jato.

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O doleiro também é conhecido por aparecer em episódio envolvendo o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e José Yunes, ex-assessor de Michel Temer. Segundo Yunes, o doleiro esteve em seu escritório em São Paulo para receber um "pacote" deixado no local a pedido de Padilha. Esse pacote continha, segundo delatores, valores de caixa dois que haviam sido combinados com diretores da Odebrecht em jantar no Palácio do Jaburu.

 *As informações são da Agência Brasil

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