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Outrora defensores do impeachment de Dilma, movimentos Acorda Brasil, Avança Brasil e NasRuas lançaram manifesto pedindo "nome sem vínculo partidário" e "capaz de levar reformas a cabo" para eventual eleição indireta

Grupos pró-impeachment de Dilma não mencionam representações contra Temer e nem pedem eleições diretas
Ana Lis Soares/iG São Paulo - 17.04.16
Grupos pró-impeachment de Dilma não mencionam representações contra Temer e nem pedem eleições diretas

Os movimentos Acorda Brasil, Avança Brasil e NasRuas – grupos que se tornaram conhecidos por ocasião das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff  – lançaram nesta segunda-feira (29) um manifesto reconhecendo que as chances de Michel Temer permanecer na Presidência até o fim de seu mandato "diminuíram consideravelmente".

Os grupos não chegam a atacar Temer e ponderam que há "inúmeras indagações legais sobre as circunstâncias" das gravações divulgadas pelo empresário Joesley Batista. Ainda assim, os outrora defensores do impeachment de Dilma dizem que as denúncias contra o atual presidente provocaram "instabilidade institucional no nosso País", o que "coloca em xeque a legitimidade e a manutenção do atual presidente como Chefe supremo do poder Executivo".

O manifesto menciona que o peemedebista corre o risco de perder seu mandato tanto em razão do inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as acusações feitas pelos executivos da JBS, quanto pela ação que apura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suposto crime de abuso de poder político e econômico por parte da chapa que elegeu Dilma e Temer em 2014.

"Quaisquer que sejam os possíveis cenários para o desfecho desta crise, acreditamos que na possibilidade de remoção do presidente Michel Temer de seu cargo, a sociedade civil não poderá admitir que figuras com reputação questionável sequer entrem na disputa", defendem os movimentos sociais.

A ideia defendida pelos grupos que surgiram no cenário nacional como facções anti-PT é que uma eleição indireta para a Presidência da República, precisará de "um nome da sociedade civil, sem vínculo partidário, que detenha as condições morais, técnicas e políticas para que o país possa transpor o atual momento de crise".

"Exigimos que todos os agentes políticos ou pessoas físicas sobre as quais pesem quaisquer denúncias ou suspeitas sejam impedidas de participar do possível pleito", explica o texto.

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Em defesa de reformas 

O manifesto assinado por Luiz Philippe de Orleans e Bragança (Acorda Brasil), Nilton Caccáos (Avança Brasil) e Carla Zambelli (NasRuas) defende as reformas promovidas pelo governo Michel Temer, e diz que um eventual substituto do peemedebista no Palácio do Planalto deverá "levar a cabo as reformas políticas e econômicas de forma responsável até o próximo pleito presidencial em 2018".

"Acreditamos serem não só necessárias, mas imprescindíveis a continuidade das reformas em
curso, tão fundamentais para a retomada do crescimento do país, mas que ocorram de forma e legítima, legal e pacífica, conduzidas por pessoas completamente desconectadas do atual cenário político-partidário do País, sobre o qual não há qualquer credibilidade ou legitimidade".

Os grupos não fazem menção, em nenhum trecho do manifesto de três páginas, aos 13 pedidos de impeachment protocolados na Câmara contra o presidente Temer e nem à proposta de eleições diretas , que levou milhares de pessoas às ruas neste fim de semana no Rio de Janeiro e já havia mobilizado grande número de manifestantes em Brasília na última quarta-feira (24).

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