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Opositores desprezam momento delicado do Brasil e promovem espetáculo patético para impedir avanço de reformas; trabalhadores nascidos entre setembro e dezembro podem ficar sem recurso de contas inativas do FGTS

No Congresso, oposição promoveu tumulto em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado
Marcos Oliveira/Agência Senado - 23.5.17
No Congresso, oposição promoveu tumulto em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado

A oposição ao governo no Congresso Nacional  promoveu nesta terça-feira (23) um espetáculo deprimente, deixando claro mais uma vez que os propósitos partidários estão para a classe política muito acima de qualquer questão de interesse do País.

Durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado na qual seria lido o relatório da proposta de reforma trabalhista, os parlamentares de oposição ao governo promoveram uma verdadeira rebelião – com direito a gritos, dedos em riste, empurrões e até o avanço físico do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) contra a mesa que coordenava os trabalhos na comissão. Resultado: o relatório não foi lido e a reunião no Congresso foi suspensa.

Até mesmo a Polícia Legislativa precisou intervir e retirar a força alguns manifestantes do circo de horrores que se tornou a audiência pública promovida pela CAE, que deveria ter sido palco de uma discussão importante para o Brasil. 

Para não atrasar a tramitação do projeto e assim prejudicar ainda mais o País – que parece ancorado em uma crise permanente –, o presidente da comissão, senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), determinou a publicação do relatório na internet. A medida faz com que o texto seja considerado oficialmente apresentado. A oposição, lógico, disse que não reconhecerá isso.

"A oposição vai usar de todos os meios para impedir [a aprovação do projeto]. Nós estamos vivendo um golpe continuado nesse país. Não tem normalidade democrática, não tem normalidade institucional. Estão rasgando a Constituição, tirando os direitos dos trabalhadores. Não tem governo, está um caos", disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-RS) logo após a reunião.

Na Câmara dos Deputados, o cenário de avacalhação dos trabalhos do Poder Legislativo é o mesmo. Ao longo de todo o dia, diversos deputados de oposição ocuparam a tribuna para anunciar que vão obstruir todas as votações previstas para esta semana na Casa.

“Este Parlamento não pode funcionar e dar cara de normalidade a uma situação como essa”, bradou o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

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Oposição põe em risco recursos de contas inativas do FGTS

Além de prejudicar o avanço de reformas, o motim parlamentar na Câmara pode ferir de morte milhões de brasileiros de uma maneira cruel e injusta. Isso porque os trabalhadores nascidos entre os meses de setembro e dezembro e que possuem recursos em contas inativas do FGTS ainda dependem dos deputados para ter o direito ao saque.

Enquanto os demais trabalhadores já tiveram acesso a cerca de R$ 30 bilhões liberados pelo governo, aqueles que nasceram nos últimos quatro meses do ano ainda aguardam a aprovação de uma Medida Provisória para ter acesso ao dinheiro.

A votação da MP na Câmara estava prevista para ocorrer ainda nesta terça-feira, mas, até as 20h, isso não ocorreu pois as bancadas de seis partidos (PT, PDT, PCdoB, PSOL, Rede e PMB) entraram em obstrução, ou seja, estão travando os trabalhos.

O deputado Pepe Vargas (PT-RS) anunciou que o Partido dos Trabalhadores votará favoravelmente à MP, mas disse que a legenda seguirá apresentando recursos protelatórios para alongar a sessão e permitir que todos os deputados que queiram possam se manifestar contra a permanência do atual governo.

Na prática, o que o parlamentar está dizendo ao Povo brasileiro é: "Vocês esperem aí que, quando der, a gente pensa um pouco no Brasil. A prioridade no momento é fazer desse Congresso um grande palanque contra a governabilidade".

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