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De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, autoridades suíças decidiram bloquear recursos e abater o valor de multa de R$ 672,5 milhões

Unidade industrial da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht: empresas fecharam o maior acordo da história mundial
Divulgação/Braskem
Unidade industrial da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht: empresas fecharam o maior acordo da história mundial

As autoridades da Suíça decidiram bloquear cerca de US$ 100 milhões (R$ 327 milhões) encontrados em contas da construtora Odebrecht no país. O valor deve ser abatido da multa de aproximadamente R$ 672,5 milhões que a empreiteira e a Braskem – braço petroquímico da Odebrecht – concordaram pagar à Suíça  para encerrar os processos criminais contra a construtora no país.

O sequestro de recursos não era previsto no acordo anunciado na última quarta-feira (21), apesar de este falar em "compensação de fundos". A informação de que a soma de US$ 100 milhões permanecerá na Suíça é de reportagem publicada na edição deste sábado (24) do jornal Folha de S.Paulo . Segundo o periódico, o montante foi flagrado em "contas secretas usadas para pagar propina no Brasil e em 11 países". A reportagem do iG não conseguiu contato com a assessoria da  Odebrecht para confirmar o bloqueio.

De acordo com o Ministério Público da Suíça, que coordenou cerca de 60 investigações sobre supostos crimes envolvendo a Petrobras, a Odebrecht e a Braskem praticaram lavagem de dinheiro e violaram a lei do país que exige que companhias adotem as medidas necessárias para impedir o pagamento de propinas a agentes públicos.

Os investigadores suíços identificaram movimentações financeiras entre contas associadas à construtora e contas de empresas offshores como meio de "facilitar o pagamento de propinas". No acordo assinado com o Ministério Público da Suíça, a Odebrecht concordou em pagar R$ 372 milhões e a Braskem, R$ 300,5 milhões – totalizando R$ 672,5 milhões.

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Maior acordo da história

O acordo internacional firmado entre Odebrecht e Braskem e as autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça é considerado o maior já realizado em toda a história mundial, em termos monetários, em um caso de corrupção.

No total, as duas empresas se comprometeram a pagar R$ 6,9 bilhões em multas aos três países ao longo dos próximos 23 anos, com parcelas reajustadas anualmente pela variação da taxa Selic. Desse montante, 5,3 bilhões devem ficar no Brasil.

Ao fim do período de 23 anos, de acordo com projeção do Ministério Público Federal, a quantia deve corresponder a mais de R$ 15 milhões.

Em nota, a Odebrecht informou que o pagamento da multa será viabilizado por meio de uma "combinação de vendas de ativos já planejadas anteriormente" e de "geração de caixa das operações continuadas". 

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