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Ele é acusado de ter recebido R$ 2,7 milhões em propina da empreiteira Andrade Gutierrez; Justiça aceitou denúncia contra outras seis pessoas

Ex-governador Sérgio Cabral teria recebido propina no valor de R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez
Twitter/Reprodução
Ex-governador Sérgio Cabral teria recebido propina no valor de R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), sua esposa, Adriana Ancelmo, e outras cinco pessoas se tornaram rés em ação penal decorrente das investigações da Operação Lava Jato. A denúncia contra o grupo foi oferecida na última quinta-feira (15) pelo Ministério Público Federal (MPF) e aceita hoje pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), responsável pelas ações da Operação Lava Jato em primeira instância. Eles são acusados de terem cometido os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

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De acordo com as investigações, Cabral recebeu propina no valor de R$ 2,7 milhões por parte de executivos da empreiteira Andrade Gutierrez. O valor seria referente à concessão de vantagens indevidas relacionadas às obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), do qual a construtora era uma das integrantes do Consórcio Terraplanagem Comperj, contratado em 2008 pela Petrobras para a execução dos serviços.

As propinas foram repassadas durante o período entre 2008 e 2016. O valor – referente a 1% da participação da Andrade Gutierrez no consórcio – era pago por meio de técnicas de lavagem de dinheiro para despistar as investigações, como repasses em espécie, fracionamento de depósitos, aquisição de itens por meio de terceiros e compras de objetos luxuosos, como joias e roupas de grife. A denúncia informa que a ex-primeira-dama auxiliava na ocultação do patrimônio.

A peça enviada pelo MPF dá conta de que a licitação que teve como vencedor o Consórcio Terraplanagem Comperj – do qual também fizeram parte a Odebrecht e a Queiroz Galvão – ocorreu em 2007. Na época, o PMDB , partido ao qual o ex-governador é filiado, apoiava a indicação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Em troca, era feito o esquema de arrecadação à sigla, que dividia os valores recebidos com o Partido Progressista (PP). Alguns dos repasses eram feitos por intermédio de Adriana Ancelmo, presa no início deste mês.

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Como contrapartida ao pagamento de propinas, o então governador e o ex-secretário de Governo Wilson Carlos se omitiam em relação às fraudes contratuais e à pratica de cartel envolvendo a Andrade Gutierrez em licitações, sem criar obstáculos para a atuação irregular.

Também foram denunciados Wilson Carlos (ex-secretário de Governo do Rio), Mônica Carvalho (esposa de Wilson Carlos), Carlos Emanuel de Carvalho Miranda (amigo e operador financeiro de Sérgio Cabral), além dos executivos da Andrade Gutierrez Rogério Nora de Sá e Clóvis Numa Peixoto Primo.

Prisões

O ex-governador Sérgio Cabral foi preso pela Polícia Federal no fim de novembro. Inicialmente, ele ficou sob custódia no Rio de Janeiro , mas foi transferido para Curitiba após ter sido beneficiado por regalias . Adriana Ancelmo foi presa no início de dezembro. Do grupo cuja denúncia foi aceita hoje, também estão presos Wilson Carlos e Carlos Miranda.

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