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Após determinar suspensão do projeto que trata das medidas anticorrupção, ministro do STF afirmou não ver uma nova crise entre a Corte e o Legislativo

Ministro do STF Luiz Fux entende que houve erros durante a tramitação do projeto de lei na Câmara dos Deputados
Fellipe Sampaio/SCO/STF - 17.11.2016
Ministro do STF Luiz Fux entende que houve erros durante a tramitação do projeto de lei na Câmara dos Deputados

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux disse nesta quinta-feira (15) que não interferiu nos trabalhos do Legislativo ao determinar a suspensão do Projeto de Lei (PL) 4.850/16, que trata das Dez Medidas de Combate à Corrupção. A proposta de iniciativa popular foi incentivada e encaminhada à Câmara dos Deputados pelo Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o ministro, a jurisprudência da Corte autoriza a decisão liminar em caso de “vício no processo legislativo de elaboração de leis”. Para o ministro, a decisão não cria uma nova  crise entre a Corte e o Legislativo. “Eu não vejo como possa criar crise na medida em que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica, no sentido de que o Judiciário pode interferir a pedido de um parlamentar toda vez que ele promova uma ação demonstrando que o processo legislativo não está correto", argumentou Fux .

Na quarta-feira (14), Fux suspendeu individualmente a tramitação do PL 4.850/16, que trata do pacote de medidas anticorrupção e tinha sido aprovado pelo plenário da Câmara  na madrugada do dia 30 de novembro. Na decisão, Fux entendeu que houve um erro de tramitação na Câmara e determinou que o processo seja devolvido pelo Senado, onde a matéria está em tramitação, para que os deputados possam votar a matéria novamente.

Reação na Câmara

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a dizer que vê problemas na decisão do ministro Luiz Fux. Por isso, o presidente da Casa deve encaminhar ao Supremo, até o fim do dia, explicações em defesa do processo legislativo adotado pela Casa.

“Estou convencido de que tem muitos problemas na decisão do Fux. Nós não queremos nenhum tipo de conflito, de estresse maior do que nós já tivemos nos últimos meses. Então, vamos mostrar com muita paciência, item a item, tudo o que foi colocado pelo ministro Fux, que é uma decisão baseada em algumas questões que, do nosso ponto de vista, estão equivocadas”, afirmou.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que irá conversar com a presidente do Supremo , ministra Cármen Lúcia, e com o próprio ministro Luiz Fux para explicar as "razões do Congresso" e tentar "desfazer" a decisão. "Considero que houve uma invasão na competência do Legislativo. vamos acionar a advocacia do Senado para que possamos desfazê-la", afirmou Renan.

* Com informações da Agência Brasil

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