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Em entrevista concedida na última quinta-feira a jornal, FHC afirmou que não é 'candidato permanente' e não pensa em concorrer às eleições em 2018

Perguntado sobre o envolvimento de membros do seu partido em casos de corrupção, Fernando Henrique Cardoso foi zeloso
Agência Câmara
Perguntado sobre o envolvimento de membros do seu partido em casos de corrupção, Fernando Henrique Cardoso foi zeloso

No dia em que a Folha de S.Paulo divulga um novo levantamento da pesquisa Datafolha sobre intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018 – com Marina vencendo todas os cenários simulados para o segundo turno  –, o jornal O Estado de S.Paulo publicou uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em que ele afirma não ser candidato ao posto de futuro presidente da República.

De acordo com o jornal, a entrevista com Fernando Henrique aconteceu na última quinta-feira (8), antes da divulgação, na sexta-feira (9), de parte das delações premiadas feitos por executivos da empreiteira Odebrecht, que atingem diretamente Temer e o PMDB.

Também na última sexta, o nome de Geraldo Alckmin (PSDB) foi citado como receptor de caixa dois da empreiteira. Perguntado sobre o envolvimento de membros do seu partido em casos de corrupção, o ex-presidente tucano foi zeloso. "Pelo que vi até agora, são alegações de dinheiro para campanha. Quem recebeu? Quanto? Foi o candidato? O comitê? Um intermediário? Tem que separar, examinar. Por enquanto, não dá pra dizer que as pessoas praticaram um crime. É um processo longo", afirmou.

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O sociólogo tucano de 85 anos foi presidente por dois mandatos consecutivos, de 1995 a 2002. Ele foi sucedido diretamente por Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo FHC, a gestão Temer é uma "pinguela" (frágil e estreita ponte improvisada com troncos) que deve resistir até as eleições de 2018. "Se a pinguela quebrar, será pior".

Fernando Henrique chegou a citar a PEC do Teto para comentar o governo do peemedebista. "Veja, o governo foi levar ao Congresso a PEC do Teto. O que ele diz? Eu não posso gastar mais do que eu ganho. Eu ouvi o Tancredo dizer isso, lá atrás. E o Lula falou isso umas 20 vezes. Isso quer dizer que vão prejudicar educação e saúde? Depende. Tem de ver a prioridade. O que está por trás dessa proposta? A ideia de que o governo tem um poder ilimitado de fazer dinheiro. E não tem", afirmou.

O ex-presidente também falou sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal que manteve Renan Calheiros (PMDB-AL) no comando do Senado, a despeito dos movimentos de rua que pedem a saída do senador do cargo. "A rua é importante, mas também tem a lei, tem a institucionalidade, o longo prazo. Num momento de ânimos acirrados como nós estamos, as pessoas não pensam."

Não pensa em ser candidato

O tucano disse ainda que qualquer especulação sobre sua candidatura só serviria para colaborar com a diminuição na confiança no governo atual. De acordo com o ex-presidente, é exatamente a confiança que falta no governo Temer.

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"Eu não vou colaborar pra dividir a confiança. Qualquer especulação sobre o desastre, e que, eventualmente, eu possa ser presidente, só vai atrapalhar. Vai diminuir a confiança. E eu não sou dessa posição. Ouvi outro dia que o presidente Lula disse que eu estou trabalhando para ser presidente... É porque ele não me conhece", diz Fernando Henrique.

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