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Tropa de choque de Renan Calheiros decidiu ignorar decisão de ministro da Suprema Corte do País para defender o todo poderoso presidente do Senado

Renan Calheiros desprezou o Judiciário ao decidir ignorar decisão de ministro do Supremo Tribunal Federal
Marcos Oliveira/Agência Senado - 7.10.2014
Renan Calheiros desprezou o Judiciário ao decidir ignorar decisão de ministro do Supremo Tribunal Federal

O senador Renan Calheiros reafirmou nesta terça-feira (6) seu desprezo pela Justiça de nosso País. Escoltado por um grupelho de senadores que sempre viram nele uma figura a proteger seus semelhantes dos braços do Judiciário, o peemedebista optou por desprezar uma decisão expedida pela Suprema Corte  do País.

Renan Calheiros é réu em ação penal que tramita no próprio STF, acusado pela Procuradoria-Geral da República de cometer o crime de peculato, que é sinônimo de desvio de dinheiro público – aquele que você e eu pagamos em impostos. Quando foi levado à condição de réu, na semana passada, Renan divulgou uma nota dizendo que "permanece confiante na Justiça".

O polido discurso, no entanto, não passa de mera demagogia. A prova se deu nesta terça-feira.

Após o ministro do STF Marco Aurélio Mello decidir – liminarmente, pondere-se – afastar Renan da presidência do Senado, o cacique do PMDB fez birra e protagonizou um espetáculo duplamente lamentável.

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Primeiro, tal qual uma criança a fugir do enfermeiro que tenta aplicar-lhe uma injeção, Renan se escondeu na residência oficial para não ser notificado pelo oficial de Justiça sobre a decisão de Marco Aurélio. Uma cena patética que não condiz em nada com a postura que a sociedade espera de um senador da República.

Mas o completo avacalhamento da Justiça brasileira foi coroado durante esta tarde. Renan e sua tropa de choque assinaram um 'documento', se assim podemos dizer, decidindo que o Senado iria simplesmente ignorar a decisão judicial!

No mencionado 'documento', os aliados do "presidente quase-afastado" do Senado elencam 11 razões para a decisão. Isso quando apenas uma já bastaria: os senadores querem manter os políticos sob a condição de intocáveis.

Não fosse o bastante o desfiguramento absurdo promovido pelos deputados no pacote de medidas anticorrupção  na semana passada, mais uma vez a classe política dá provas de que despreza os anseios de seu Povo. Dá provas de que vai espernear a cada vez que alguém 'ousar' atacar seus privilégios.

Pela segunda vez no ano, o STF decide afastar o presidente de uma Casa do Congresso Nacional. Da primeira, o hoje preso Eduardo Cunha reuniu a pouca decência que lhe restava para acatar a decisão. Desta vez, nem isso Renan se deu ao trabalho de fazer.

É recorrente na literatura jurídica um ditado que versa o seguinte: "Decisão judicial não se discute, cumpre-se!".  Na literatura dos nossos senadores e de Renan Calheiros, no entanto, essa assertiva foi mais uma vez distorcida para: "Decisão judicial não se discute, contorna-se!".

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