Tamanho do texto

Marco Maia (PT) e ministro do TCU Vital do Rêgo são suspeitos de participar de esquema que cobrava propina para não convocar empresários para depor em CPMI; PF faz buscas em endereços pessoais e funcionais dos investigados

Ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT) é alvo de inquérito criminal da Operação Lava Jato no Supremo
Agência Câmara
Ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT) é alvo de inquérito criminal da Operação Lava Jato no Supremo

A Polícia Federal cumpre nesta segunda-feira (5), com o apoio do Ministério Público Federal, nove mandados de busca e apreensão em endereços do ex-presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia (PT-RS) e do ministro do TCU Vital do Rêgo Filho. Os dois são alvos de um inquérito criminal da Lava Jato  no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

Maia e Vital do Rêgo eram, respectivamente, relator e presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras no Congresso em 2014. A Lava Jato suspeita que os dois participaram de um esquema que envolvia a cobrança de propina por parte de parlamentares para evitar a convocação de empresários para depor no colegiado.

Segundo as investigações, executivos do chamado clube das empreiteiras afirmam ter repassado valores superiores a R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir com campanhas eleitorais. Alguns desses empresários seriam Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, e Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Em razão das mesmas irregularidades, o ex-senador Gim Argello, vice-presidente da CPMI à época, foi condenado a 19 anos de prisão  pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

De acordo com a PF, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Brasília, na Paraíba e no Rio Grande do Sul, em endereços "pessoais, funcionais e empresariais" relacionados a Maia e a Vital do Rêgo.

LEIA TAMBÉM:  Por que os EUA investigam empresas brasileiras envolvidas na Lava Jato?

Operação Deflexão

A operação deflagrada na manhã desta segunda-feira foi batizada de Deflexão. O nome, segundo a PF, faz referência ao verbo defletir, que significa provocar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo. Essa seria uma alusão ao fato de que, mediante o pagamento de propina, empreiteiros investigados passaram à condição de "blindados" de uma eventual responsabilização na CPMI da Petrobras.

Os mandados judiciais foram autorizados pelo ministro do STF Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo, atendendo a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.