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Chefe da Casa Civil é acusado de ter cometido crimes ambientais de 1998 a 2015; crises no governo Temer derrubaram 6 integrantes do primeiro escalão

Ministro Eliseu Padilha teve os bens bloqueados pela Justiça do Mato Grosso; dois sócios dele foram afetados
Wilson Dias/Agência Brasil - 7.12.15
Ministro Eliseu Padilha teve os bens bloqueados pela Justiça do Mato Grosso; dois sócios dele foram afetados

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, teve seus bens bloqueados depois que a Justiça do Mato Grosso aceitou pedido feito pelo Ministério Público do Estado. Dois sócios dele também tiveram as contas congeladas, cujo valor soma R$ 38,2 milhões. A quantia é preventiva, ou seja, não significa, necessariamente que o trio possua, de fato, esse montante.

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Padilha e seus dois sócios são acusados pelo Ministério Público de terem cometido desmatamento ilegal em uma fazenda localizada no Parque Estadual da Serra de Ricardo Franco, que fica em Vila Bela da Santíssima Trindade. A decisão da Justiça foi proferida no dia 30 de novembro.

Conforme a determinação, assinada pelo juiz Leonardo de Araújo Costa Tumiati, as contas e os imóveis dos três envolvidos devem ser bloqueadas. O Ministério Público informa que, segundo a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso , foi constatado desmatamento de área equivalente a 735 campos de futebol. As irregularidades teriam ocorrido entre 1998 e 2015.

Padilha enviou nota à imprensa na qual assegura não ter cometido “nenhum crime” e acusa o magistrado de ter tomado a decisão sem ouvi-lo. Ele promete recorrer. “Diferentemente do que está sendo noticiado, não foi bloqueada dita importância em minha conta corrente bancária, até porque o saldo dela era de R$ 2.067,12, que foi bloqueado. O senhor juiz deferiu uma medida extrema, no primeiro ato processual sem ouvir as partes", informa o texto.

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"Tal despacho não é uma sentença, é uma liminar no início do processo, no qual creio que no final a decisão será pela improcedência de ambas as ações. Vamos contestar as ações, produzir as nossas provas e cremos que ambas serão julgadas improcedentes, pois confiamos na capacidade do Poder Judiciário em fazer a verdadeira justiça. Não cometi nenhum crime ambiental. Não extraí uma só árvore na propriedade em questão. Isto tudo restará provado quando da decisão final”, diz a nota.

Escândalos

Outros escândalos envolvendo o primeiro escalão do governo do presidente Michel Temer culminaram na queda de seis ministros desde maio. Já deixaram os cargos os ex-ministros Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Fábio Medina Osório (Advocacia-Geral da União), Marcelo Calero (Cultura) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).

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A última crise envolvendo o primeiro escalão ocorreu no fim de novembro, quando Calero acusou Geddel de tê-lo pressionado para intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar as obras de um empreendimento de alto padrão em Salvador, onde Geddel possui um apartamento. A construção do prédio foi bloqueada pela Justiça no último dia 24 após ação civil pública movida pelo Instituto de Arquitetos do Brasil.


* Com informações da Agência Brasil

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