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Empreiteira admitiu participação em atividades ilícitas e pediu desculpas; empresa terá de pagar multa de aproximadamente R$ 6,8 bilhões

Odebrecht pediu desculpas pelos erros cometidos e se comprometeu a colaborar com as investigações
Divulgação
Odebrecht pediu desculpas pelos erros cometidos e se comprometeu a colaborar com as investigações

A Odebrecht assinou nesta quinta-feira (1º) um acordo de leniência com a força-tarefa da Operação Lava Jato. O acordo, que é semelhante a uma delação premiada voltada para as empresas, consiste nas revelações de práticas ilícitas que foram cometidas por diretores e funcionários. A empreiteira, que é a maior do País, também se comprometeu a pagar uma multa, cujo valor gira em torno de R$ 6,8 bilhões.

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Em nota enviada à imprensa, a construtora pediu desculpas ao País e admitiu que, nos últimos anos, cometeu “práticas impróprias” em sua atividade empresarial. “Desculpe, a Odebrecht errou”, diz o título do documento público. “Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética”, acrescenta o comunicado da empreiteira, que é acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar o cartel que fraudava contratos da Petrobras .

A empresa também pediu desculpas por não ter se retratado publicamente antes. “Não importa se cedemos a pressões externas. Tampouco se há vícios que precisam ser combatidos ou corrigidos no relacionamento entre empresas privadas e o setor público. O que mais importa é que reconhecemos nosso envolvimento, fomos coniventes com tais práticas e não as combatemos como deveríamos.”

De acordo com as regras do acordo de leniência, as empresas ficam obrigadas a colaborar com o Poder Público nas investigações, apresentando provas inéditas e suficientes para a condenação de outros envolvidos em atividades ilícitas. Como contrapartida, as companhias têm autorização para continuar assinando contratos com os governos. Além disso, têm a extinção da ação punitiva da administração pública ou redução da penalidade que lhes seriam impostas.

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Para o futuro, a construtora garantiu que irá firmar compromisso em combater e não tolerar a corrupção em qualquer forma, inclusive extorsão e suborno. Compromete-se também a “dizer não” a oportunidades de negócio que estejam atrelados a práticas ilícitas, a adotar princípios éticos, íntegros e transparentes no relacionamento com agentes públicos e privados e “jamais invocar condições culturais ou usuais do mercado como justificativa para ações indevidas”.

Mendes Júnior

Outro escândalo envolvendo empreiteiras voltou à tona nesta quinta-feira (1º), já que o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)  pelo crime de peculato. Segundo a acusação, em 2007 ele teria recebido propina da construtora Mendes Júnior para apresentar emendas favoráveis à companhia. Em troca, recebeu dinheiro para bancar as despesas de uma ex-amante, com quem tem uma filha fora do casamento.

Assim como a Odebrecht, a Mendes Júnior também foi citada nas investigações da Lava Jato. Em novembro de 2015, o juiz Sérgio Moro condenou o executivo Sérgio Cunha Mendes, ex-vice-presidente da empreiteira, a 19 anos e quatro meses de reclusão.


* Com informações da Agência Brasil

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