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Mendonça Filho afirmou que PF foi acionada para apurar depredação no MEC; no total, foram 27 placas de sinalização arrancadas e amassadas

Protesto na Esplanada dos Ministérios deixou danos ao patrimônio
Wilson Dias/Agência Brasil
Protesto na Esplanada dos Ministérios deixou danos ao patrimônio

Na manhã desta quarta-feira (30), o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que a depredação contra a sede do Ministério da Educação (MEC), em Brasília, na noite da última terça-feira (29), não foi obra de "estudantes", mas de "criminosos".

"Foi um ato criminoso, de baderneiros que invadiram e quebraram vidraças, bancos e cadeiras e destroçaram boa parte do patrimônio do MEC , aterrorizando inclusive os funcionários que sairam às carreiras do prédio. A Polícia Federal já foi acionada e cuidará da apuração sobre a ação dos baderneiros criminosos que invadiram o MEC ontem", disse o ministro.

Nove ministérios e monumentos danificados

A Secretaria da Segurança Pública e Paz Social do Distrito Federal divulgou nesta quarta um balanço sobre os danos causados durante a manifestação de estudantes na Esplanada dos Ministérios. Nove prédios de ministérios sofreram danos, como vidros e refletores quebrados e paredes pichadas. Na Catedral e no Museu Nacional, carros foram incendiados. No total, foram 27 placas de sinalização arrancadas e amassadas, cinco paradas de ônibus quebradas, diversos cones e cavaletes queimados, um controlador de velocidade danificado e dois veículos queimados.

Na tarde dessa terça-feira, uma manifestação de estudantes contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/16 foi dispersada pela Polícia Militar com bombas de gás de efeito moral, lacrimogêneo e spray de pimenta. O  protesto corria de forma pacífica até o momento em que os manifestantes chegaram ao gramado do Congresso e um grupo virou um carro de reportagem que estava estacionado nas rampas de acesso. Durante o confronto entre a polícia e os manifestantes, houve a depredação de bens públicos e privados.

Manifestantes incendeiam carro durante protesto na Esplanada dos Ministérios
Wilson Dias/Agência Brasil
Manifestantes incendeiam carro durante protesto na Esplanada dos Ministérios

Até a manhã desta quarta-feira, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) retirou dois caminhões de objetos quebrados e jogados nas vias próximas à Esplanada dos Ministérios. Uma equipe de 41 garis continua trabalhando na área. Dois caminhões pipas foram utilizados para limpeza dos locais em que foi ateado fogo. A assessoria do governo do Distrito Federal informou que ainda estuda como será o trabalho de recuperação do patrimônio. A ação deve ser integrada com os órgãos federais e outras instituições, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), responsável pela Catedral.

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O GDF ainda informou que vai investigar os danos ao patrimônio e as ações consideradas violentas. A investigação será a partir das imagens que já estão em posse dos órgãos de segurança.

Danos ao prédio do MEC

No protesto, o prédio do MEC foi invadido e teve vidraças e equipamentos depredados.

Os prejuízos ainda estão sendo calculados, disse Mendonça Filho, que não comentou sobre a PEC 55, que para os manifestantes tem o potencial de retirar recursos da educação.

Mendonça Filho disse ter explicado a Cármen Lúcia os detalhes sobre a Medida Provisória que propõe a reforma do Ensino Médio
Elza Fiuza/Agência Brasil - 4.10.2016
Mendonça Filho disse ter explicado a Cármen Lúcia os detalhes sobre a Medida Provisória que propõe a reforma do Ensino Médio

O ministro fez os comentários sobre a depredação do MEC após se renuir com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, para discutidra instalação de bibliotecas em penitenciárias e a criação de novos cursos de pós-graduação nas escolas de magistratura.

Mendonça Filho disse ter explicado a Cármen Lúcia os detalhes sobre a Medida Provisória que propõe a reforma do Ensino Médio, ora em discussão no Congresso. Segundo ele, a pasta espera que o assunto não chegue ao Supremo. O ministro negou que o governo planeje qualquer medida judicial contra as ocupações de universidades e escolas, que ocorrem em diversos estados.

Detenções e atendimentos

O Corpo de Bombeiros registrou 40 atendimentos, todos casos sem gravidade. Um total de 20 pessoas, entre eles dois policiais, receberam atendimento médico em dois grandes hospitais da capital. A maior parte foi atendida com ferimentos leves e intoxicação por gás lacrimogêneo. Três pacientes tiveram cortes mais profundos e precisaram fazer sutura, mas nenhum está em estado grave.

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Segundo o balanço da Secretaria da Segurança Pública e Paz Social do Distrito Federal, embora Mendonça tenha chamado os manifestantes de criminosos, apenas seis manifestantes foram detidos e encaminhados à delegacia por injúria, desacato, resistência e dano, além de lesão corporal. Eles assinaram os Termos Circunstanciados e foram liberados. Outras cinco ocorrências de dano foram registradas pela Polícia Federal. 

* Com informações da Agência Brasil.

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