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Ministro da Corte deve repassar material à Procuradoria-Geral da República, que já havia pedido acesso aos áudios; gravação pode virar denúncia formal

Marcelo Calero e Michel Temer durante a cerimônia de posse do hoje ex-ministro da Cultura, em maio
Valter Campanato/Agência Brasil - 24.5.16
Marcelo Calero e Michel Temer durante a cerimônia de posse do hoje ex-ministro da Cultura, em maio

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) as gravações de ligações telefônicas entre o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero  e integrantes do governo Temer, incluindo conversas com o próprio presidente. O procedimento foi realizado no fim da noite desta segunda-feira (28) e confirmado nesta terça-feira (29) pela PF.

De acordo com funcionários do Supremo, o material deve agora ser encaminhado por algum ministro para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que posteriormente pode pedir autorização do próprio STF para investigar Michel Temer .

A PGR já havia solicitado o acesso aos áudios, também nesta segunda-feira (28). Os procuradores podem pedir também a investigação do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Calero gravou conversas telefônicas com o presidente da República, com o ex-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima e com o ministro Eliseu Padilha. Calero alega que foi pressionado para que o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) liberasse a construção de um condomínio em região tombada em Salvador, na Bahia. Geddel tem um apartamento comprado no empreendimento, que está com obras embargadas.

Em entrevista ao "Fantástico" (TV Globo) do último domingo (27), o ex-chefe do MinC afirmou que as conversas que gravou com o presidente Temer têm conteúdo "burocrático" e "protocolar".

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Crise no Planalto

A denúncia de que o principal articulador político de Temer teria pressionado outro ministro em favor próprio surgiu logo após Calero anunciar que deixaria a pasta da Cultura, na última sexta-feira (18). Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", Calero acusou Geddel Vieira Lima de tê-lo procurado em diversas ocasiões para tratar do assunto.

Geddel recebeu o respaldo de Temer para continuar no governo mesmo após a denúncia, assim como o apoio de congressistas – incluindo os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB) e Rodrigo Maia (DEM), respectivamente. Isso mesmo após a Comissão de Ética da Presidência decidir abrir uma sindicância para apurar a atuação do chefe da Secretaria de Governo.

Após dias seguidos com o noticiário negativo envolvendo seu nome, no entanto, Geddel anunciou na sexta-feira passada (25) que deixaria a equipe de Temer. Seu substituto ainda não foi anunciado.

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