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Impasse envolvendo o ex-chefe da Secretaria de Governo gerou crise no Palácio do Planalto; foi o 6º nome a deixar o ministério de Temer em 6 meses

Geddel foi o sexto ministro a deixar o primeiro escalão do governo em 6 meses; Planalto confirmou exoneração hoje
Valter Campanato/Agência Brasil
Geddel foi o sexto ministro a deixar o primeiro escalão do governo em 6 meses; Planalto confirmou exoneração hoje

O Palácio do Planalto publicou nesta sexta-feira (25), em edição extra do “Diário Oficial da União”, a exoneração do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ocupava a Secretaria de Governo da Presidência da República. O presidente Michel Temer ainda não indiciou o nome de quem passará a ocupar a pasta.

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Apesar de o Planalto já ter oficializado a saída de Geddel, o nome dele permanecia citado no site da Secretaria de Governo como titular da pasta até o início da noite desta sexta. Desde maio, quando Temer assumiu a Presidência da República ainda como interino, seis ministros já caíram depois de escândalos, média de um por mês.

O primeiro integrante do primeiro escalão que desembarcou do governo Temer foi Romero Jucá, que ocupava o Ministério do Planejamento. Ele caiu no dia 23 de maio depois que veio a público uma gravação, feita em março, na qual conversava com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e discutia sobre a necessidade de um “pacto” para barrar as investigações da Operação Lava Jato.

No fim de maio, Fabiano Silveira, que era ministro da Transparência, também caiu em razão de gravação de conversa telefônica sobre a Lava Jato . Cerca de três meses antes da sua demissão, quando ainda integrava o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi flagrado orientando por telefone o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre a operação.

Em junho, foi a vez de Henrique Eduardo Alves deixar a pasta que ocupava, do Turismo. Ele foi citado na delação premiada de Sérgio Machado no âmbito da Lava Jato. Em novembro, se tornou réu na Justiça Federal de Brasília em ação que investiga prática de crimes envolvendo recebimento de propina de empresas interessadas na liberação de verbas do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).

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Fábio Medina Osório, que era advogado-geral da União, deixou o governo em setembro depois de desentendimentos com outros integrantes do primeiro escalão. Ele acusou o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, de tê-lo orientado para não atuar em questões relacionadas à Lava Jato.

Na última sexta-feira (18), Marcelo Calero pediu demissão do Ministério da Cultura. Ele alegou ter sofrido pressões por parte do então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para atuar junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde Geddel é dono de uma unidade. A obra havia sido embargada por estar próxima a imóveis tombados.

As declarações de Calero à imprensa e à Polícia Federal tornaram insustentável a situação de Geddel no governo. Ele acabou pedindo demissão nesta sexta-feira (25).

Defesa

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, deu declarações hoje isentando a atuação do comando do Planalto  no caso do impasse entre Calero e Geddel. Segundo ele, o depoimento do ex-ministro da Cultura “deixa claro” que Temer não exerceu pressão em favor do ex-chefe da Secretaria de Governo.

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