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Para Alexandre de Moraes, informações passadas por ex-chefe da Cultura à Polícia Federal não indicam pressão do presidente em favor de Geddel

Ministro Alexandre de Moraes afirmou que depoimento de Calero não compromete o presidente Michel Temer
Wilson Dias/Agência Brasil - 23.11.2016
Ministro Alexandre de Moraes afirmou que depoimento de Calero não compromete o presidente Michel Temer

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, declarou nesta sexta-feira (25) que o depoimento prestado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal (PF) deixa claro que o presidente Michel Temer não exerceu pressão em favor de Geddel Vieira Lima, ex-chefe da Secretaria de Governo da Presidência e que deixou o cargo hoje.

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No depoimento à PF, Calero disse ter conversado com Temer a respeito da suposta pressão de Geddel para viabilizar junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a obra de um edifício de alto padrão em Salvador, no qual Geddel é proprietário de uma unidade. A construção foi embargada por estar em área de Patrimônio Cultural da União.

“Basta ler o que está em todas as redes sociais para ver que o presidente simplesmente indicou ao ministro Calero que, se achasse o caso, consultasse a AGU [Advocacia-Geral da União], tanto que o próprio ministro entendeu por bem não consultar”, disse Alexandre de Moraes.

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O ex-ministro da Cultura pediu demissão do cargo na última sexta-feira (18). Na quarta-feira (23), depôs à PF e disse que o Temer o havia "enquadrado" e sugerido uma saída por meio da AGU para o caso. Por meio do porta-voz Alexandre Parola, o presidente disse que buscou "arbitrar conflito" entre ministros e negou ter pressionado Calero.

Moraes disse ainda que serão apuradas as informações divulgadas pela imprensa de que Calero gravou conversa com Temer e outros integrantes do governo. “Há os boatos sobre se há ou não gravação. Isso vai ser apurado para verificar em que condições foram feitas, se é que realmente foram feitas”, disse em entrevista a jornalistas após participar de evento do PSDB na Câmara dos Deputados.

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As informações passadas por Calero à PF serão encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal ( STF ), de acordo com o ministro. A Corte abriu vistas sobre o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR). “O procurador-geral da República vai analisar se vai ou não insistir nesse pedido de abertura de inquérito”, disse.

Audiência com Temer

Calero divulgou nota à imprensa nesta sexta-feira (25) na qual negou ter marcado audiência com Temer com intuito de gravar o diálogo. “A respeito de informações disseminadas, a partir do Palácio do Planalto , de que eu teria solicitado audiência com o presidente Michel Temer no intuito de gravar conversa no Gabinete Presidencial, esclareço que isso não ocorreu. Durante minha trajetória na carreira diplomática e política, nunca agi de má-fé ou de maneira ardilosa. No episódio que agora se torna público, cumpri minha obrigação como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições", disse o ex-ministro, cujas informações que constam no depoimento provocaram a queda de Geddel.


* Com informações da Agência Brasil

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