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No inquérito que tramita no STF, o parlamentar foi acusado por Delcídio do Amaral de tentar interferir nos trabalhos da extinta CPMI dos Correios

Gilmar Mendes disse que
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30.10.16
Gilmar Mendes disse que "houve atraso no desenvolvimento das investigações", porque testemunhas não foram ouvidas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes autorizou nesta quarta-feira (23) a prorrogação do prazo das i nvestigações da Polícia Federal sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) . No inquérito que tramita na Corte, o parlamentar foi acusado pelo ex-senador Delcídio do Amaral de tentar interferir nos trabalhos da extinta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, criada em 2005 para investigar as denúncias do mensalão.

No despacho, Gilmar Mendes afirmou que "houve atraso no desenvolvimento das investigações", porque três testemunhas que estavam previstas para prestar depoimentos ainda não foram ouvidas. Mendes também determinou que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) cumpram os prazos da investigação.

"Ficam a Autoridade Policial e o Ministério Publico Federal instados a observar os prazos de tramitação nesta e em todas as investigações supervisionadas por este relator", decidiu o ministro.

As investigações são baseadas em um dos depoimentos do ex-senador Delcídio do Amaral, em colaboração com a Justiça. De acordo com Delcídio, em 2005, durante os trabalhos da CPMI dos Correios, o senador Aécio Neves, então governador de Minas Gerais, “enviou emissários” para barrar quebras de sigilo de pessoas e empresas investigadas, entre elas o Banco Rural.

Aécio Neves foi acusado pelo ex-senador Delcídio do Amaral de tentar interferir nos trabalhos da CPMI dos Correios
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 25.8.16
Aécio Neves foi acusado pelo ex-senador Delcídio do Amaral de tentar interferir nos trabalhos da CPMI dos Correios

Segundo Delcídio, um dos emissários era Eduardo Paes, então secretário-geral do PSDB . Conforme relato do ex-senador, o relatório final da CPMI foi aprovado com "dados maquiados" e Paes e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) também tinham conhecimento dos fatos.

"Outros parlamentares também sabiam que esses dados estavam maquiados, podendo citar os deputados Carlos Sampaio e Eduardo Paes, já mencionado, dentre outros que não se recorda. Esses fatos ocorreram em 2005/2006. Esse tema foi tratado com Aécio Neves em Belo Horizonte, no palácio do governo”, diz trecho da delação do senador.

Carlos Sampaio

Inicialmente, a PGR pediu a inclusão do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) nas investigações, mas o pedido foi rejeitado por Gilmar Mendes. O ministro entendeu que, mesmo citado no depoimento de Delcídio, a inclusão dele nas investigações é prematura.

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“Delcídio do Amaral limitou-se a dizer que o parlamentar tinha ciência da omissão das informações financeiras. Não há narração de qualquer contribuição ativa de Carlos Sampaio para os fatos. Tampouco há uma explicitação da razão que levou Delcídio do Amaral a crer que Carlos Sampaio efetivamente tinha conhecimento dos fatos", argumentou Gilmar Mendes.

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