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Parlamentares querem que a PGR apure se o ministro teria cometido crime de advocacia administrativa; para o senador Romero Jucá oposição está tentando criar um fato político que “não vai embaraçar atuação do governo”

Presidente Michel Temer optou por manter Geddel Vieira Lima no cargo mesmo após polêmica com ex-ministro da Cultura
Walter Campanato/Agência Brasil - 5.10.2016
Presidente Michel Temer optou por manter Geddel Vieira Lima no cargo mesmo após polêmica com ex-ministro da Cultura

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), informou nesta segunda-feira (21) que seu partido, em associação com o PCdoB e a Rede, pretende entrar com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro - chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Os oposicionistas querem que a PGR investigue se Geddel teria cometido crime de advocacia administrativa por, supostamente, pressionar o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, para que interviesse junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção de um prédio em Salvador.

Calero pediu demissão na última sexta-feira (18), alegando motivos pessoais. Depois, em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", afirmou que tinha sido pressionado por Geddel para intervir pela liberação da obra. Geddel disse que comprou um apartamento no edifício, mas negou ter pressionado Calero.

Para o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), a oposição está tentando criar um fato político que “não vai embaraçar a atuação do governo”.

Em reunião nesta segunda-feira, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República analisou as declarações de Marcelo Calero, mas adiou a decisão porque o conselheiro José Saraiva pediu vista do processo. Segundo Jucá, o próprio Gedel solicitou a retirada do pedido de vista.

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“Interessa ao ministro Geddel e interessa ao governo que esse assunto seja esclarecido”, afirmou Jucá. “Nós estamos aguardando os esclarecimentos necessários, e acho que este é um fato pontual, que não deve atrapalhar de maneira nenhuma o funcionamento do governo. É uma questão que deve ser esclarecida, e vamos aguardar a posição do minsitro, e a posição da Comissão de Ética.”

Jucá ressaltou que a base governista continua unida em torno das ações “graves e sérias” que tem para tratar e não deve se abalar por causa do episódio. “O governo está firme no seu objetivo, no seu rumo traçado, e nós não vamos sair do foco. Eventualmente, se qualquer questão pontual surgir sobre qualquer ministro, deverá ser tratada também de forma pontual. Sem tirar o governo do seu rumo”, enfatizou.

Câmara

Na Câmara dos Deputados, o vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS), afirmou que não há motivo para afastamento de Geddel. Perondi disse que conversou com o Geddel no fim de semana e que este estava tranquilo. "Não deve se afastar, ele deve continuar à frente do ministério."

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De acordo com o deputado, Geddel não exerceu a pressão que está sendo relatada. "Foi mais uma ação no sentido de buscar sensibilizar para a questão", acrescentou.

O líder do PTB, Jovair Arantes (GO) também defendeu Geddel e classificou as declarações de Calero de "perseguição" contra ministro.

Arantes disse que não conhece a questão a fundo, mas ressaltou que a ação do ministro Geddel foi mais no sentido de defender o desenvolvimento econômico da região onde se localiza a obra. "Não vejo nenhuma razão para afastamento dele e não vi nenhuma irregularidade no ato de Geddel. Para mim, ele saiu foi em defesa do desenvolvimento econômico da cidade."

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