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Reunião que trataria de medidas contra corrupção estava marcada para 16h, mas só poderia ocorrer após o prazo de duas sessões, que foram suspensas

Manifestantes invadiram plenário da Câmara dos Deputados, houve tumulto e a sessão foi suspensa temporariamente
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil 16.11.2016
Manifestantes invadiram plenário da Câmara dos Deputados, houve tumulto e a sessão foi suspensa temporariamente

A comissão especial que analisa o projeto de Lei 4850/16, que trata das chamadas dez medidas de combate à corrupção, foi impedida de iniciar os trabalhos na tarde desta quarta-feira (16) após um grupo de pessoas pedindo pela intervenção militar no País invadirem o plenário da Câmara dos Deputados .

A reunião da comissão que trataria das medidas contra corrupção estava marcada para 16h, mas só poderia ocorrer após o prazo de duas sessões. Como os trabalhos foram suspensos pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o encontro não foi iniciado. 

“Como a sessão foi suspensa, o prazo de duas sessões da Casa não foi superado", explicou o presidente da comissão, Joaquim Passarinho (PSD-PA).

Invasão

Cerca de 60 manifestantes invadiram o plenário da Câmara dos Deputados por volta das 15h30 e alguns deles chegaram a protagonizar confrontos com a Polícia Legislativa. A invasão ocorreu no momento em que os parlamentares ainda aguardavam o quórum mínimo para o início da ordem do dia da sessão extraordinária.

O grupo pedia pela intervenção militar no País e entoou no plenário o coro de "A nossa bandeira jamais será vermelha", uma das bravatas mais recorrentes em protestos anti-PT. Em outro momento, os responsáveis pela ocupação no plenário entoaram juntos um grito de "General aqui", numa referência ao propósito intervencionista da ação.

Um dos manifestantes concedeu entrevista nas galerias da Câmara e afirmou que uma das razões para a invasão é uma suposta "luta contra o comunismo".

Depois de pedido de prisão para os manifestantes , o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reabriu a sessão plenária por volta das 19h30. O grupo foi levado à Polícia Federal.

Comissão

O objetivo do relator do projeto contra a corrupção, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), é apresentar as alterações feitas em seu relatório final. A expectativa é que o texto seja discutido e votado até amanhã (17).

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Apesar do atraso no início dos trabalhos, o deputado Feliz Mendonça (PDT-BA) apresentou um voto em separado em que pede a aprovação do relatório com as medidas sobre corrupção apresentado por Lorenzoni na última quarta-feira (8). No texto, Lorenzoni propõe a inserção de crime de responsabilidade para juízes e integrantes do Ministério Público. No entanto, o relator voltou atrás e retirou este ponto do texto após reunião com integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, na última segunda-feira (14).

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