Tamanho do texto

Em entrevista coletiva, Roberson Pozzobon, do MPF, afirmou que mudanças na legislação podem facilitar as atividades dos envolvidos em corrupção

Procuradores do MPF avaliam que mudanças na legislação sobre caixa dois e acordo de leniência estimulam corrupção
Valter Campanato/Agência Brasil - 26.5.2015
Procuradores do MPF avaliam que mudanças na legislação sobre caixa dois e acordo de leniência estimulam corrupção

Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato demonstraram preocupação com a possibilidade de o Congresso aprovar o projeto de lei que anistia os políticos que cometeram caixa dois. Os procuradores também criticaram a proposta que cria novas regras para os acordos de leniência, que são feitos por empresas envolvidas em caso de corrupção e, em troca, obtêm redução das penas.

LEIA MAIS:  Odebrecht afirma que caixa dois de José Serra foi pago em conta na Suíça

O procurador da República Roberson Pozzobon defendeu a aprovação das dez medidas anticorrupção criadas pelo MPF e enviadas à Câmara e ao Senado. Para ele, a sanção da matéria é uma maneira de coibir novos casos de corrupção. "Não existe caixa dois inocente, pois esse recurso vem justamente da prática de lavagem de dinheiro. Anistiar o caixa dois significa anistiar a lavagem de dinheiro e a corrupção." As declarações foram dadas durante entrevista coletiva dada na manhã desta quinta-feira (10) depois de a Polícia Federal ter deflagrado a 36ª fase da Lava Jato.

Segundo o procurador, a Procuradoria se preocupa com “um cenário em que se discutem retrocessos legislativos, como projetos de lei que visam a atacar e enfraquecer as instituições e em que se propõe investigar os investigadores pelo exercício de sua missão”, acrescentou Pozzobon. Na opinião dele, “se os integrantes das instituições não tiverem liberdade e segurança para investigar e processar os delitos, vamos simplesmente retornar ao estado anterior”.

LEIA MAIS:  Ex-secretário-geral do PT vira réu na Lava Jato

Ele destacou ainda que “não há uma forma mágica de tratar a corrupção e interromper esses delitos a não ser por meio de políticas públicas, do aperfeiçoamento do nosso sistema legislativo-penal, do fortalecimento das instituições”.

Sobre os acordos de leniência, Pozzobon avaliou que o sucesso da Lava Jato está ocorrendo justamente porque, em outros casos ocorridos no passado, as iniciativas de combate à corrupção falharam porque, segundo ele, o País passava por momento de “absoluta impunidade aos delitos de colarinho branco”.

Operação Dragão

A 36ª fase da Lava Jato, que recebeu o nome de Dragão, resultou no cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva . A operação teve como alvos empresas ligadas a dois operadores financeiros, Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran. Os procuradores sustentam que a dupla teria lavado mais de R$ 50 milhões para empresas que são investigadas pela força-tarefa, como a UTC, Odebrecht e Mendes Júnior.

Assad já estava preso em Curitiba, no Paraná, depois de ter sido condenado pela Justiça Federal em outra ação. Duran teve o mandado de prisão preventiva decretado, mas não executado, já que ele está na Espanha desde abril.

“Causa espanto a forma sistemática, generalizada e contínua com que foi praticada corrupção em diversos contratos da administração pública federal, estaduais e municipais. Quem corrompia e quem era corrompido buscava se servir de profissionais na prática criminosa. Muitas vezes esses profissionais eram os mesmos, pois um apresentava o outro [aos demais participantes do esquema]”, declarou o procurador do MPF.


* Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.