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Silvinho, que foi secretário-geral do PT, teria recebido vantagens indevidas de construtoras investigadas na operação; ele também foi réu no mensalão

MPF acusa o grupo de ter cometido os crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro
Andrevruas/ Wikimedia Commons
MPF acusa o grupo de ter cometido os crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta terça-feira (8) denúncia contra o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, o empresário José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e outras duas pessoas por envolvimento nas irregularidades apuradas pela Operação Lava Jato. O grupo é acusado de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

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A denúncia do MPF será avaliada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Lava Jato em primeira instância. Sílvio Pereira, que chegou a ser preso em abril, também foi réu no mensalão. Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, já foi condenado em outra ação da Lava Jato, assim como Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Também foram denunciados os empresários César Roberto Santos Oliveira e José Paulo Santos Reis, da empreiteira GDK.

Segundo a Promotoria, em 2004, Oliveira e Reis, da GDK, ofereceram pagamento de propina de pelo menos R$ 6,8 milhões a Renato Duque e Pedro Barusco – ex-gerente de Serviços da Petrobras . Sílvio Pereira também teria sido beneficiário dos pagamentos das vantagens econômicas indevidas, que tinham como objetivo favorecer a empreiteira para a execução de obras da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, no Espírito Santo. O valor é referente a 1,5% do valor do contrato.

Para Silvio Pereira, parte da propina foi paga por meio da transferência de um veículo Land Rover Defender – fato que lhe gerou o apelido de Silvinho Land Rover. A contratação da GDK acabou não se concretizando depois que a operação ilegal veio a público – o serviço acabou sendo prestado pela Engevix.

A acusação do Ministério Público sustenta ainda que Silvinho era responsável pela distribuição de cargos no governo federal, à época chefiado por Luiz Inácio Lula da Silva. A força-tarefa da Lava Jato teria, inclusive, localizado na casa do ex-secretário-geral do PT um arquivo chamado “Sistema de Gerenciamento de Indicações”. Ele é apontado como responsável pela nomeação de Duque na Petrobras.

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O crime de lavagem de dinheiro, de acordo com a denúncia, foi cometido entre os anos de 2009 e 2011 por Sílvio Pereira e Léo Pinheiro. Segundo a Promotoria, a dupla “de forma consciente e voluntária, ocultou e dissimulou a natureza e origem de valores provenientes da prática dos crimes de corrupção, fraude à licitação e cartel praticados em face da Petrobras, no montante de R$ 486.160,00, por intermédio da simulação de prestação de serviços da empresa DNP Eventos Ltda., sediada no Estado de São Paulo, com a empresa OAS”. A DNP Eventos pertencia a Sílvio Pereira.

Vaccari

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta terça-feira (8) o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pelos crimes de corrupção e associação criminosa. As ações são decorrentes da Operação Lava Jato. O lobista Mário Góes e os ex-diretores da estatal Pedro Barusco e Renato Duque também estão citados no inquérito.

Segundo a PF , o que motivou o indiciamento foram investigações em cima da Carioca Engenharia. A empresa teria feito pagamento de propinas com o objetivo de garantir a vitória em contratos de obras para a Petrobras. Vaccari, que já foi condenado em outras ações da Lava Jato, teria atuado, como intermediário do PT, exigindo e recebendo os pagamentos ilícitos feitos pela Carioca.

O inquérito apresentado pela PF está sob sigilo eletrônico e foi recebido pela 13ª Vara Federal do Paraná, cujo juiz titular é Sérgio Moro .

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Vaccari já foi condenado em três ações penais a 31 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele foi preso após pedido do MPF no dia 15 de abril do ano passado, quando foi deflagrada a 12ª fase da Lava Jato.

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