Tamanho do texto

Marqueteiro procurou a PGR depois de ser informado que o seu nome e o episódio sobre Skaf constarão na delação da empreiteira Odebrecht

Confissão do recebimento de recursos não declarados à Justiça Eleitoral faz parte de uma tentativa de delação
Divulgação
Confissão do recebimento de recursos não declarados à Justiça Eleitoral faz parte de uma tentativa de delação

O marqueteiro Duda Mendonça, que coordenou a campanha de Paulo Skaf (PMDB) ao governo do Estado de São Paulo em 2014, informou ao Ministério Público Federal que parte do dinheiro que recebeu como pagamento pelo seu trabalho, na época, chegou por meio de caixa dois, recebido da Odebrecht. As informações foram publicadas na edição desta quinta-feira (3) do jornal Folha de S.Paulo.

LEIA TAMBÉM:  Churrasco de domingo é vilão do aquecimento global, dizem especialistas

De acordo com a publicação, a confissão do recebimento de recursos não declarados à Justiça Eleitoral faz parte de uma tentativa de delação premiada que o marqueteiro de Skaf vem negociando com procuradores há cerca de dois meses.

O marqueteiro procurou a Procuradoria-Geral da República (PGR) depois de ser informado que o seu nome e o episódio sobre Skaf constarão na delação que membros da empreiteira Odebrecht farão na Operação Lava Jato.

Segundo as investigações e a versão de Duda, a construtora teria repassado o dinheiro para a campanha política do então candidato peemedebista para quitar despesas de marketing, por meio do Setor de Operações Estruturadas, que seria o departamento de propinas da empreiteira.

Propina

De acordo com a prestação de contas de Skaf em 2014 registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Votemim Escritório de Consultoria Ltda, de Duda Mendonça e outros sócios, recebeu sete pagamentos oficiais, totalizando o montante de R$ 4,1 milhões.

Na eleição de 2014, Skaf (foto) ficou em segundo lugar, perdendo já no primeiro turno para Geraldo Alckmin
Facebook/Reprodução
Na eleição de 2014, Skaf (foto) ficou em segundo lugar, perdendo já no primeiro turno para Geraldo Alckmin

A conta dos serviços de marketing da campanha, porém, superou este valor segundo apurou o jornal. O restante foi desembolsado para Duda por meio de caixa dois.

VEJA AINDA:  Brasil tem cinco estupros por hora e um roubo de carro por minuto

Foi apurado ainda que o então candidato foi informado na época que o PMDB nacional ficaria responsável pelas negociações dos pagamentos pendentes, o que foi acertado com a Odebrecht.

Na eleição de 2014, Skaf ficou em segundo lugar, perdendo já no primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB), que foi reeleito na ocasião.

Defesa

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, candidato a governador em 2014 pelo PMDB, disse ter total desconhecimento do assunto e afirmou considerar um absurdo as informações de que despesas de sua campanha política foram pagas com recursos de caixa dois.

E MAIS:  "Hipster da Federal" desmente que esteja respondendo a processo da PF

Procurado pela reportagem, o marqueteiro Duda Mendonça não respondeu às mensagens enviadas para ouvir sua posição sobre as negociações que tem feito com a Procuradoria-Geral da República a respeito de dinheiro de caixa dois recebido da Odebrecht pela campanha política de Skaf feita por ele.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.