O empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta Engenharia, sinalizou aos procuradores do Ministério Público Federal que está disposto a relatar o pagamento de propina a políticos do PSDB e do PMDB, segundo reportagem publicada na edição desta quarta-feira (19) pelo jornal "O Estado de São Paulo".

Cavendish, que foi preso no fim de junho na Operação Saqueador , relacionou repasses ilegais para que a Delta conseguisse contratos de obras com os governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, além de empresas estatais federais como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Petrobras.

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Antonio Augusto/Agência Câmara
Empresário e ex-dono da empreiteira Delta teve a prisão domiciliar decretada em agosto pelo Superior Tribunal de Justiça

As informações, de acordo com o jornal, constam de anxeos das negociações entre o empresário e os procuradores que atuam na operação. Cavendish tenta fechar um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Saqueador em troca da redução de sua pena.

O empresário teria relatado atividades irregulares da Delta Engenharia para atuar em obras como a ampliação da Marginal Tietê, em São Paulo, a reforma do Maracanã, no Rio, e para firmar contratos que somam ao menos R$ 276 milhões em Goiás.

Entre os nomes citados por Cavendish estão o do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), atual líder do governo Michel Temer no Senado; o do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB); e o do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Os três negam envolvimento em irregularidades envolvendo a Delta.

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Operação Saqueador

A Operação Saqueador foi deflagrada no dia 30 de junho deste ano pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal e investiga supostos desvios de R$ 370 milhões em obras públicas atribuídas à Delta. De acordo com o MPF, os desvios eram feitos para 18 empresas fantasmas que pertenciam a Adir Assad e a Marcelo Abbud, em São Paulo, e também a Carlinhos Cachoeira.

As investigações apontaram que, após repassados pela Delta a empresas de fachada, os valores eram sacados em dinheiro para impedir o rastreamento da propina entregue a agentes políticos.

Cavendish ficou preso inicialmente no presídio Bangu 8, no Rio, mas conseguiu o direito à prisão domiciliar e deixou o local 11 dias depois. No entanto, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu pelo retorno do empresário ao regime fechado. A questão foi definida posteriormente no dia 16 de agosto, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu a prisão domiciliar do empresário da Delta.

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