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Em Fórum de Juízes Federais em SP, Moro defendeu delação premiada "com regras, cuidado e cautela" e recomendou a nunca se "confiar em criminosos"

Juiz Sérgio Moro Sérgio Moro 5º Fórum Nacional Criminal dos Juízes Federais (Fonacrim) em São Paulo nesta terça-feira (4)
Rovena Rosa / Agência Brasil - 04.10.2016
Juiz Sérgio Moro Sérgio Moro 5º Fórum Nacional Criminal dos Juízes Federais (Fonacrim) em São Paulo nesta terça-feira (4)


O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, que julga os processos da Lava Jato, defendeu nesta terça-feira (4) a delação premiada com auxílio para investigações mas assegurou que esse "não é o único método" utilizado por ele. Para exemplificar o sucesso do método, Moro citou a delação de Alberto Yousseff como a "cereja do bolo". 

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As declarações do juiz da Lava Jato foram realizadas no 5º Fórum Nacional Criminal dos Juízes Federais em São Paulo. À plateia, Moro defendeu que a delação seja “feita com regras, cuidado, cautela" e recomendou que "nunca se confie num criminoso”.

Aos juizes, Moro assegurou que é preciso definir se vale a pena ou não fazer acordo com o delator, "porque isso também tem um custo, já que o colaborador vai receber sanção criminal proporcional”.

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O juiz limitou seus comentários aos casos que já foram julgados da Lava Jato. Segundo ele, um gerente executivo da Petrobrás, envolvido no recebimento de propinas, devolveu 98 milhões de dólares desviados para contas secretas no exterior.

Sérgio Moro no Fórum Nacional Criminal dos Juízes Federais: Juiz diz ter encontrado corrupção sistêmica na Petrobras
Rovena Rosa / Agência Brasil - 04.10.2016
Sérgio Moro no Fórum Nacional Criminal dos Juízes Federais: Juiz diz ter encontrado corrupção sistêmica na Petrobras


Corrupção sistêmica

Moro reforçou ter encontrado um quadro sem precedentes de corrupção na Petrobras. “A corrupção sistêmica como algo espalhado, penetrante e profundo, não é algo assim tão comum”, ratificou. O juiz lembrou que a praxe na petrolífera era o pagamento de propina entre 1% e 3% do valor dos contratos.

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Moro concluiu que o percentual pode não parecer significativo, mas, diante de contratos de obras, equipamentos de refinaria e aquisição de navios-sonda, os valores podem chegar a RS 1 bilhão. “Essa propina não era destinada apenas a gente da Petrobras, parte seria destinada a agentes políticos e partidos que dariam sustentação à permanência no cargo a agentes da Petrobras”, acrescentou.

* Com informações do Agência Brasil