Tamanho do texto

Ex-ministro dos governos Lula e Dilma foi preso na Operação Lava Jato acusado de receber suborno para facilitar negócios da Odebrecht no governo

Ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi preso pela Polícia Federal na 35ª fase da Operação Lava Jato
Antonio Cruz/ABr - 8.11.2010
Ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi preso pela Polícia Federal na 35ª fase da Operação Lava Jato

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antônio Palocci prestará depoimento na tarde desta quinta-feira (29) na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba. Ele foi preso na última segunda-feira (26) , de maneira temporária, durante a 35ª fase da Operação Lava Jato.

Leia mais:  BC bloqueia R$ 814 mil de contas de Palocci e R$ 30 milhões de empresa dele

De acordo com a PF, ele recebia suborno do alto comando da empreiteira Odebrecht , uma das principais empresas do Brasil. A operação investiga se o Palocci e outros envolvidos que também foram detidos receberam dinheiro para facilitar os negócios da construtora em contratos com o governo.

Dinheiro

Na última quarta-feira (28), o Banco Central (BC) bloqueou mais de R$ 814 mil em três contas bancárias de propriedade do ex-ministro e cerca de R$ 30 milhões que estavam em uma conta de sua empresa de consultoria. A decisão foi tomada após pedido do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Além de Palocci, a 35ª fase da Lava Jato também prendeu dois ex-assessores dele, Branislav Kontic e Juscelino Dourado. Kontic prestou depoimento à PF hoje de manhã, e Dourado foi ouvido ontem à tarde.

Veja também:  Quais são as acusações contra Palocci?

A prisão temporária dos três vence amanhã (30). Moro poderá, mediante solicitação da PF ou do Ministério Público Federal, prorrogar o tempo por mais cinco dias ou converter a medida para prisão preventiva (sem prazo definido para terminar).

Denúncia

De acordo com o força-tarefa da Lava Jato, Palocci teve atuação “intensa e reiterada” na defesa de interesses da empreiteira Odebrecht na administração pública federal. 

“Se verificou uma atuação intensa e reiterada de Palocci na defesa de interesses da empresa
perante a administração pública federal envolvendo contratos com a Petrobras, questões veiculadas e medidas legislativas. Essa atuação se deu mediante a pactuação e recebimento de contrapartidas em favor do Partido dos Trabalhadores. Palocci, ao que tudo indica, atuava como gestor dessa conta tendo atuado desde 2006 até pelo menos novembro de 2013, comprovadamente, com pagamentos documentados nessa planilha”, disse a procuradora da República Laura Gonçalves Tessler.

Os valores discriminados na planilha da construtora eram registrados em nome de "italiano”,
segundo a Polícia Federal. O delegado da PF Filipe Pace disse que não há “sombra de dúvida” de que o “italiano” que aparece nas planilhas de Marcelo Odebrecht é o ex-­ministro Palocci.

A procuradora Laura Gonçalves destacou que repasses registrados para o italiano não ocorreram apenas em período eleitoral. “O que revela mais claramente se tratarem de propina, já que não havia em curso qualquer campanha eleitoral que subsidiasse esses pagamentos”, disse.

Veja:  Com hashtag #HojeTem, PF prende ex-ministro Palocci em nova fase da Lava Jato

Para o Ministério Público Federal, há indicativos de que Palocci tenha atuado em outros casos em defesa dos interesses da empresa. Segundo a procuradora Laura Gonçalves, foram registrados quase 30 encontros pessoais entre Palocci e executivos da empresa, muitos deles na casa do ex-ministro e no escritório de sua empresa.

Laura Gonçalves afirma ainda que, mesmo no curso da Operação Lava Jato e em 2014 e 2015 foram verificados contatos entre Palocci e executivos da Odebrecht, inclusive com o uso de e-mails criptografados. “O que indica a possibilidade de que continuassem essas tratativas ilícitas já que obviamente para realização de reuniões para assuntos triviais não se precisa ter essa preocupação de criptografia”, disse a procuradora.

Defesa

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, criticou a prisão de seu cliente, dizendo que tudo ocorreu de maneira secreta, ao estilo ditadura militar. “Estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Não há necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimado. É por causa do espetáculo?”, questionou.

O advogado também negou as acusações apresentadas pela força-tarefa da Operação ao juiz Sérgio Moro. “Isso é uma coisa absolutamente vaga, vazia. Para quem quer pretexto, isso é pretexto, mas o fato é que o ministro da Fazenda tem que ter uma interlocução com o setor empresarial, com a cadeia produtiva do Brasil, para que se estabeleçam as políticas públicas. Se um ministro conversa com alguém da iniciativa privada, já é suspeito de praticar crime?”, perguntou Batochio.

* Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.