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Senadora e seu marido se tornaram réus na Lava Jato suspeitos de terem recebido R$ 1 milhão em recursos ilícitos para a campanha de Gleisi em 2010

Procuradoria-Geral da República (PGR), disse que Gleisi Hoffmann e seu marido tinham ciência do esquema de corrupção
Roque de Sá/Agência Senado
Procuradoria-Geral da República (PGR), disse que Gleisi Hoffmann e seu marido tinham ciência do esquema de corrupção

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse ter recebido com tristeza a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acatar denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra ela e o marido, ex-ministro Paulo Bernardo, que os tornaram reús na Operação Lava Jato.

Gleisi Hoffmann observou que o próprio ministro do STF, Teori Zavascki, reconheceu não haver certeza de que os fatos imputados a ela ocorreram e que a denúncia deveria ser aceita em virtude de uma dúvida razoável.

Por isso, a senadora disse estar segura de que agora terá no Supremo o benefício da dúvida e será julgada com serenidade, imparcialidade e isenção.  “A decisão é uma nova oportunidade de provar, sem sombra de dúvida, a nossa inocência”, afirmou.

Gleisi reiterou que não há nenhuma prova concreta de recebimento de dinheiro ilícito para sua campanha ao Senado em 2010 e que a denúncia contra ela se baseia apenas em delações feitas por pessoas envolvidas na Operação Lava Jato.

"Posso afirmar aqui: com certeza, em condições de normalidade política e institucional, essa denúncia não seria recebida pelo Supremo Tribunal Federal.  Continuarei firme e de cabeça erguida nessa luta. Não devo nada, portanto, não temo nada. E vou provar isso no STF", assegurou.

Réu na Lava Jato

Na última terça-feira (27), a Segunda Turma do STF aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gleisi Hoffmann e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Com a decisão do colegiado, os dois passam à condição de réus nas investigações da Operação Lava Jato.

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Em maio, o casal foi denunciado ao Supremo sob a acusação de ter recebido R$ 1 milhão para a campanha da senadora em 2010. De acordo com depoimentos de delatores na Lava Jato, o valor é oriundo de recursos desviados de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Os ministros seguiram o voto do relator, ministro Teori Zavascki. Para o ministro, a denúncia descreveu a conduta individual dos acusados e indicou que Paulo Bernardo solicitou o pagamento ao ex-diretor, que determinou a Youssef a entrega dos recursos, por meio de uma pessoa interposta.

Paulo Bernardo teria solicitado pagamentos ao ex-diretor da Petrobras que solicitou a Youssef a entrega de recursos
José Cruz/ Agência Brasil - 23.06.2016
Paulo Bernardo teria solicitado pagamentos ao ex-diretor da Petrobras que solicitou a Youssef a entrega de recursos

Ao contrário do que sustentou as defesas, Zavascki afirmou que não houve contradições nos depoimentos dos delatores. "Alberto Youssef não só confirmou a realização da entrega de valores, detalhando a maneira como procederam os pagamentos, reconhecendo, ainda, mediante fotografia, a pessoa do denunciado Ernesto Rodrigues como responsável por receber a quantia da denunciada Gleisi Hoffmann", afirmou o ministro.

O entendimento do relator foi acompanhado pelos ministros Celso de Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Pela acusação, o subprocurador da República Paulo Gonet, representante da PGR, disse que os denunciados tinham plena ciência do esquema criminoso na Petrobras e da "origem espúria" dos valores recebidos por meio de Ernesto Kugler Rodrigues, empresário ligado ao casal, que teria intermediado o repasse de Paulo Roberto Costa. Rodrigues também foi denunciado.

"Paulo Roberto Costa esperava, com esse repasse de quantias obtidas criminosamente, colher o apoio do casal denunciado para permanecer nas suas funções de diretor da Petrobras."

Defesa

No julgamento, a advogada de Paulo Bernardo, Verônica Stermann, afirmou que o ex-ministro não tinha responsabilidade sobre a manutenção de diretores na Petrobras. Além disso, segundo a defesa, Youssef e Costa confirmaram que não receberam pedidos de repasse de propina de Paulo Bernardo.

A defesa de Ernesto Kugler Rodrigues defendeu a rejeição da denúncia por entender que não há descrição sobre a participação dele nos crimes de lavagem de dinheiro e de corrupção, que teriam ocorrido pela suposta intermediação do recebimento de R$ 1 milhão.

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Já o advogado da senadora, Rodrigo Mudrovitsch, disse que as afirmações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef foram desmentidas ao longo das investigações da Operação Lava Jato. Para a defesa, a acusação contra o casal foi baseada somente em supostas iniciais de Paulo Bernardo encontradas em uma agenda de Costa durante as investigações.

"Nós temos dois colaboradores premiados, ambos beneficiados e premiados por sua colaboração, que apontam dois trilhos de investigação completamente díspares e desconexos entre si. O que há aqui até agora, é simplesmente uma anotação unilateral PB 1,0", disse a defesa de Gleisi Hoffmann.

* Com informações da Agência Câmara e Agência Brasil

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