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Senadora criticou as prisões dos ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega e chamou denúncia contra o ex-presidente Lula de “show midiático”

Procuradoria-Geral da República (PGR), disse que Gleisi Hoffmann e seu Marido tinham ciência do esquema de corrupção
Pedro França/Agência Senado - 03.08.16
Procuradoria-Geral da República (PGR), disse que Gleisi Hoffmann e seu Marido tinham ciência do esquema de corrupção

Enquanto a  Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitava a denúncia contra Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido , o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a senadora fazia uma avaliação da Lava Jato no plenário do Senado.  

Para Gleisi Hoffmann, a operação está “completamente fora dos trilhos” e perde credibilidade do povo ao ceder a motivações políticas. A senadora criticou as prisões dos ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, além do que chamou de “show midiático” na denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para ela, as ações constituem tentativas de desmoralizar o Partido dos Trabalhadores  nas últimas semanas da campanha eleitoral nos municípios. Segundo Gleisi, esses ataques atingem não o partido, mas a sociedade brasileira e o estado democrático de direito

"Não é possível. Eu lamento que o Brasil esteja passando por isso, e nós vamos fazer denúncia internacional, sim, porque temos que mostrar ao mundo que a democracia novinha do Brasil, a frágil democracia brasileira está passando por uma ação continuada de golpe", afirmou. 

Réu na Lava Jato

Nesta terça-feira (27), o STF aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Com a decisão do colegiado, os dois passam à condição de réus nas investigações da Operação Lava Jato. Em maio, o casal foi denunciado ao Supremo sob a acusação de ter recebido R$ 1 milhão para a campanha da senadora em 2010.

Paulo Bernardo teria solicitado pagamentos ao ex-diretor da Petrobras que solicitou a Youssef a entrega de recursos
José Cruz/ Agência Brasil - 23.06.2016
Paulo Bernardo teria solicitado pagamentos ao ex-diretor da Petrobras que solicitou a Youssef a entrega de recursos

De acordo com depoimentos de delatores na Lava Jato, o valor é oriundo de recursos desviados de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Os ministros seguiram o voto do relator, ministro Teori Zavascki. Para o ministro, a denúncia descreveu a conduta individual dos acusados e indicou que Paulo Bernardo solicitou o pagamento ao ex-diretor, que determinou a Youssef a entrega dos recursos, por meio de uma pessoa interposta.

Ao contrário do que sustentou as defesas, Zavascki afirmou que não houve contradições nos depoimentos dos delatores. "Alberto Youssef não só confirmou a realização da entrega de valores, detalhando a maneira como procederam os pagamentos, reconhecendo, ainda, mediante fotografia, a pessoa do denunciado Ernesto Rodrigues como responsável por receber a quantia da denunciada Gleisi Hoffmann", afirmou o ministro.

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O entendimento do relator foi acompanhado pelos ministros Celso de Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Pela acusação, o subprocurador da República Paulo Gonet, representante da PGR, disse que os denunciados tinham plena ciência do esquema criminoso na Petrobras e da "origem espúria" dos valores recebidos por meio de Ernesto Kugler Rodrigues, empresário ligado ao casal, que teria intermediado o repasse de Paulo Roberto Costa. Rodrigues também foi denunciado.

Ministros seguiram o voto do relator, ministro Teori Zavascki; para ele, não houve contradições nos depoimentos
Nelson Jr./SCO/STF - 23.2.16
Ministros seguiram o voto do relator, ministro Teori Zavascki; para ele, não houve contradições nos depoimentos

"Paulo Roberto Costa esperava, com esse repasse de quantias obtidas criminosamente, colher o apoio do casal denunciado para permanecer nas suas funções de diretor da Petrobras."

Defesa

No julgamento, a advogada de Paulo Bernardo, Verônica Stermann, afirmou que o ex-ministro não tinha responsabilidade sobre a manutenção de diretores na Petrobras. Além disso, segundo a defesa, Youssef e Costa confirmaram que não receberam pedidos de repasse de propina de Paulo Bernardo.

A defesa de Ernesto Kugler Rodrigues defendeu a rejeição da denúncia por entender que não há descrição sobre a participação dele nos crimes de lavagem de dinheiro e de corrupção, que teriam ocorrido pela suposta intermediação do recebimento de R$ 1 milhão.

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Já o advogado da senadora, Rodrigo Mudrovitsch, disse que as afirmações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef foram desmentidas ao longo das investigações da Operação Lava Jato. Para a defesa, a acusação contra o casal foi baseada somente em supostas iniciais de Paulo Bernardo encontradas em uma agenda de Costa durante as investigações.

"Nós temos dois colaboradores premiados, ambos beneficiados e premiados por sua colaboração, que apontam dois trilhos de investigação completamente díspares e desconexos entre si. O que há aqui até agora, é simplesmente uma anotação unilateral PB 1,0", disse a defesa de Gleisi Hoffmann.

* Com informações da Agência Brasil e Agência Câmara

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