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Ex-ministro de Lula e Dilma aguarda transferência para a sede da PF em Curitiba, berço da operação; defesa nega acerto de propina com a Odebrecht

Agência Brasil

O ex-ministro Antonio Palocci, preso na manhã desta segunda-feira  (26) na 35ª fase na Operação Lava Jato, já está na superintendência da Polícia Federal na capital paulista. Além do ex-integrante dos governos Lula e Dilma, também foram presos temporariamente na operação dois ex-assessores de Palocci: Branislav Kontic, também levado à superintendência da PF; e Juscelino Dourado, preso em Campinas, que está a caminho de São Paulo.

Palocci foi preso em sua casa, na região dos Jardins, zona sul da capital paulista. Agentes da Polícia Federal também cumpriram mandados de busca em seu escritório. 

Os três seguem ainda nesta segunda-feira em comboio para o aeroporto de Congonhas, de onde partem para Curitiba. Além das prisões, a polícia cumpre mandados de condução coercitiva para cinco pessoas, cujos nomes não foram divulgados. Duas delas já estão na sede da PF e duas não terão a condução cumprida, uma por motivo de viagem e outra por doença.

Ex-ministro Antonio Palocci é suspeito de ter recebido propina para favorecer a construtora Odebrecht
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Ex-ministro Antonio Palocci é suspeito de ter recebido propina para favorecer a construtora Odebrecht

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, criticou a prisão de seu cliente, dizendo que tudo ocorreu de maneira secreta, ao estilo ditadura militar. “Estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Não há necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimado. É por causa do espetáculo?”, disse.

Batochio disse ainda que causou indignação o nome dado à operação ( Omertá ) que significa lei do silêncio no código de honra usado pela máfia italiana. “Só porque ele tem um nome descendente de italiano, como eu tenho também, além de ser absolutamente preconceituoso com os descendentes de italianos. Essa designação é perigosa”, disse.

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A suspeita da operação é de que Palocci teria ligação com o comando da empreiteira Odebrecht, a maior do País. A operação investiga se o ex-ministro e outros envolvidos receberam dinheiro para beneficiar a empreiteira em contratos com o governo.

Segundo a PF, as negociações envolviam a Medida Provisória 460/2009, que tratava de crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além do aumento da linha de crédito da Odebrecht no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um país africano, e a interferência em licitação da Petrobras para a aquisição de 21 navios-sonda destinados à exploração da camada do pré-sal.

O advogado negou as acusações. “Isso é uma coisa absolutamente vaga, vazia. Para quem quer pretexto, isso é pretexto, mas o fato é que o ministro da Fazenda tem que ter uma interlocução com o setor empresarial, com a cadeia produtiva do Brasil, para que se estabeleçam as políticas públicas. Se um ministro conversa com alguém da iniciativa privada, já é suspeito de praticar crime?”, perguntou Batochio.

Trajetória

Palocci foi cofundador do Partido dos Trabalhadores e presidente do PT em São Paulo entre 1997 e 1998
Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11
Palocci foi cofundador do Partido dos Trabalhadores e presidente do PT em São Paulo entre 1997 e 1998

Palocci foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e presidente do PT em São Paulo no período de 1997 a 1998. Aos 28 anos, depois de ocupar cargos em associações de classe, sindicatos e na Central Única dos Trabalhadores (CUT), disputou o primeiro cargo eletivo como vereador e foi eleito, em 1988 em Ribeirão Preto, seu reduto eleitoral. Depois, foi deputado estadual e federal, além de prefeito da cidade. Palocci nunca perdeu uma eleição.

Figura central na campanha de Lula para a Presidência, Palocci foi escolhido pelo então presidente para ser ministro da Fazenda e ficou conhecido pela transição do governo Fernando Henrique Cardoso para o início do mandato do petista e logo conquistou a confiança do mercado financeiro. Foi demitido pelo escândalo de quebra de sigilo de um caseiro que era testemunha de acusação contra ele em um processo envolvendo uma casa na qual era acusado de se reunir com lobistas.

Ele voltou à atividade parlamentar em 2008, como deputado federal. Em 2010, assumiu a coordenação da campanha de Dilma Rousseff e, com a eleição da petista, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, onde permaneceu somente até maio de 2011, depois de uma série de denúncias sobre seu suposto enriquecimento ilícito.

*Com informações da Agência Brasil e da BBC Brasil

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