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Ex-presidente também criticou senadores que mudaram de voto no julgamento do impeachment de Dilma e elogiou aqueles que a apoiaram

Ex-presidente discursa contra denúncia do Ministério Público Federal no diretório estadual do Partido dos Trabalhadores
Roberto Parizotti / Cut - 15.09.2016
Ex-presidente discursa contra denúncia do Ministério Público Federal no diretório estadual do Partido dos Trabalhadores

No longo pronunciamento em que rebateu a denúncia do Ministério Público Federal que o aponta como o comandante do esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou para ironizar adversários políticos, especialmente do Senado e do PSDB, sem, no entanto, citar nomes, na tarde desta quinta-feira (15).

"Sabe o que é o G8? É tudo aquilo que o sociólogo sonhava em participar", discursou Lula , exaltando o fato de ao longo de seus mandatos ter sido convidado a todas as reuniões do grupo que engloba as maiores economias do mundo, em referência ao seu antecessor na Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso. 

Na sequência, dizendo-se injustiçado por ter sido denunciado pelo Ministério Público Federal  embasado no que chamou de "mentiras", lembrou da operação da Polícia Federal que encontrou quase meio quilo de cocaína no helicóptero da família – e dentro de propriedade pertencente a ele – do senador Zezé Perrella (PTB-MG).

Lula é apoiado por militantes do PT após fazer discurso contra denúncia; ao seu lado, o prefeito Fernando Haddad
Ricardo Stuckert - 15.09.2016
Lula é apoiado por militantes do PT após fazer discurso contra denúncia; ao seu lado, o prefeito Fernando Haddad

Em frase de ironia, o ex-presidente afirmou que, enquanto o Ministério Público o acusa sem ter provas de seu envolvimento em corrupção e lavagem de dinheiro, em 2013, investigadores"tinham prova do avião com mais de 400 quilos de cocaína, mas não tinham convicção" – o procurador da República Deltan Dallagnol disse em diversos momentos da apresentação da denúncia contra o petista que o posicionamento político do petista ao longo de seu governo levava a investigação a ter convicção de sua culpa no esquema.

"Eu digo publicamente o seguinte: ninguém respeita a lei neste país mais do que eu. Eu acredito que só com instituições muito fortes a gente garante a democracia. Respeito as instituições, respeito a lei e vou prestar todos os depoimentos necesssários", declarou.

Do meio político, Lula também lembrou dos adversários que votaram a favor do impeachment , os antigos aliados que mudaram de voto de uma hora para outra e elogiou, alguns nominalmente, os senadores que apoiaram a ex-presidente do início ao fim do processo. 

Lula se emociona ao lembrar das mais recentes ações da força-tarefa da Operação Lava Jato contra ele, nesta quinta-feira
Roberto Parizotti / Cut - 15.09.2016
Lula se emociona ao lembrar das mais recentes ações da força-tarefa da Operação Lava Jato contra ele, nesta quinta-feira

"Nós tinhamos 22 votos e ficamos só com 20 [...] Quero aqui parabenizar a bancada do PT e os 20 senadores que votaram com a gente. Quero também agradecer os companheiros de outros partidos que nos apoiaram, como o companheiro [Roberto] Requião (PMDB-PR), a companheira Vanessa [Graziotin] (Psol-AM). Eles não perderam a dignidade, não perderam a vergonha."

Esbravejo contra investigação

Ovacionado com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", o petista não conseguiu evitar o choro ao recordar sobre a forma como alega que vem sendo perseguido. Ações como a condução coercitiva – quando o investigado é obrigado a depor –, que incluiu uma varredura em suas residências e de filhos foram lembradas em diversos momentos do discurso.

Lula é observado por militantes durante discurso realizado na sede do diretório paulista do Partido dos Trabalhadores
Ricardo Stuckert - 15.09.2016
Lula é observado por militantes durante discurso realizado na sede do diretório paulista do Partido dos Trabalhadores

A emoção foi ainda maior quando o petista tocou no ponto de que a denúncia, além dele, inclui sua mulher, Marisa Letícia, com quem é casado desde 1973. "Eu só quero que sejam honestos [os procuradores, promotores e agentes policiais que fazem parte da força-tarefa da Lava Jato]. Só quero que respeitem dona Marisa", disse o petista. "Respeito os parentes desses meninos [os envolvidos na investigação], mas sei que eles não são melhores do que dona Marisa."

Também não faltaram citações a adversários políticos, especialmente no que diz respeito ao impeachment de Dilma Rousseff, contra o qual concentrou esforços para angariar votos. "Eu sempre entendi que o Senado tinha um nivel superior. Eu saía de São Bernardo para ir ao Senado para ver os grandes debates pra política nacional, que dava gosto de ver tribunos tão extraordinários que faziam política lá. Eis que o Senado se apequenou [ao julgar e aprovar o impeachment]", avaliou, aproveitando para exaltar aliados e criticar aqueles que abandonaram o apoio à ex-presidente nos momentos mais decisivos.

"Pouca gente teve e tem a vida mais fiscalizada do que eu, desde os tempos das greves sindicais [...] Penso que o procurador-geral da República deve estar pensativo hoje, penso que os  ministros do judiciário tão pensativo [...] Por que, o que aconteceu? As custas do que este espetáculo [...] Como você apresenta a prova de um crime dizendo que não tem prova, tem convicção [...] Quero dizer às pessoas honestas, seja da Polícia Federal, do MP, da Justiça, que estou à inteira disposição. Quando eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo, mas, quando não transgredir, me deixem em paz pra nao criar problema."


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