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Além do pecuarista, ex-ministros e aliados antigos do ex-presidente já foram condenados; investigações alcançaram ainda outras pessoas próximas a Lula

Lava Jato fecha o cerco a Lula: ex-presidente foi denunciado nesta quarta-feira (15) por obras em tríplex no Guarujá (SP)
Ricardo Stuckert/Instituto Lula - 2.9.16
Lava Jato fecha o cerco a Lula: ex-presidente foi denunciado nesta quarta-feira (15) por obras em tríplex no Guarujá (SP)

O pecuarista José Carlos Bumlai foi condenado  nesta quinta-feira (15), junto a outros sete réus da Operação Lava Jato, pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção passiva e ativa.

Amigo antigo do ex-presidente Lula , Bumlai foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, a nove anos e dez meses de prisão.

Entre os demais condenados na sentença divulgada nesta quinta-feira figuram o lobista Fernando Baiano, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

No rol de condenados, Vaccari e Bumlai são aqueles com maior ligação ao ex-presidente Lula, que havia sido denunciado pela força-tarefa da Lava Jato no dia anterior . Mas os dois não são os únicos ‘amigos’ que entraram na mira da operação até o momento. Confira a situação de outras pessoas próximas ao ex-presidente que já foram implicadas nas investigações decorrentes do esquema na Petrobras.

José Carlos Bumlai

 José Carlos Bumlai foi condenado a nove anos dez meses de prisão por empréstico fraudulento com o banco Schahin
Valter Campanato/Agência Brasil
José Carlos Bumlai foi condenado a nove anos dez meses de prisão por empréstico fraudulento com o banco Schahin

O pecuarista José Carlos Bumlai é uma das pessoas com laços mais estreitos com o ex-presidente, sendo inclusive um dos idealizadores do Instituto Lula. O pecuarista teria, conforme depoimentos prestados à Polícia Federal, negociado a realização de obras no sítio frequentado pelo ex-presidente e por sua família em Atibaia, no interior de São Paulo. Bumlai também é réu, junto a Lula, na ação penal sobre suposta tentativa de obstrução à Justiça (leia mais sobre o caso no tópico "Delcídio do Amaral").

O pecuarista está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, e enfrenta problemas de saúde – ele realizou recentemente, com a autorização de Moro, tratamento contra um câncer na bexiga.

José Dirceu

Aliado antigo de Lula, Dirceu foi ministro da Casa Civil – cargo de primeiro escalão do governo – durante o primeiro mandato do ex-presidente, entre 2003 e 2005. Dirceu, que já havia sido condenado no julgamento do mensalão, voltou à prisão em agosto de 2015 em decorrência de denúncias da Lava Jato. Ele foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão – a maior pena já estipulada em uma única ação por crimes relacionados ao esquema na Petrobras.

João Vaccari Neto

Assim como Lula, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Vaccari está preso há mais de um ano no Complexo Médico-Penal em Pinhais e já foi condenado a 24 anos de detenção em duas ações penais. Na sentença desta quinta-feira, o ex-tesoureiro foi condenado por corrupção passiva e teve a pena estipulada por Moro em seis anos e oito meses.

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Renato Duque

O ex-diretor da Petrobras foi indicado pelo PT para comandar a Diretoria de Serviços da estatal, participando ativamente do esquema criminoso envolvendo políticos, lobistas, empreiteiros e a Petrobras. Lula afirmou no ano passado que a indicação de Duque partiu de José Dirceu.

Após fechar acordo de delação premiada, Renato Duque relatou encontros secretos com Lula aos investigadores da Lava Jato. Somadas, as penas impostas ao ex-diretor da Petrobras já ultrapassam os 40 anos de prisão.

João Santana

O marqueteiro responsável pelas campanhas de Lula, em 2006, e de Dilma, em 2010 e 2014, foi preso neste ano junto à sua mulher e sócia, Mônica Moura. O casal confirmou ter recebido dinheiro de caixa dois de campanhas do PT e Mônica inclusive se disse disposta a fechar um acordo de delação.

No mês passado, os procuradores da Operação Lava Jato pediram à Justiça Federal que seja aplicada uma multa de R$ 1,5 bilhão a Santana e a Mônica pelos prejuízos causados à Petrobras, e o bloqueio de R$ 795 milhões dos seus bens.

Delcídio do Amaral

Ex-senador Delcídio do Amaral acusa Lula de ter proposto plano para evitar acordo de delação de Nestor Cerveró
Beto Barata/Agência Senado - 9.5.16
Ex-senador Delcídio do Amaral acusa Lula de ter proposto plano para evitar acordo de delação de Nestor Cerveró

Ex-líder do governo de Dilma no Senado, o então petista (hoje sem partido) foi preso no fim do ano passado por participar pessoalmente de uma tratativa para tentar impedir que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró fechasse um acordo de delação premiada. Após a prisão, o próprio Delcídio passou a negociar um acordo com a força-tarefa da Lava Jato, para a qual relatou que o plano de fuga de Cerveró foi proposto por Lula. 

Por conta desse episódio, os dois respondem juntos a uma ação penal por tentativa de obstrução à Justiça. Atualmente, Delcídio cumpre prisão domiciliar.

André Esteves

O ex-presidente do Banco BTG Pactual também foi preso por participar do 'plano Cerveró' e responde por tentativa de obstrução às investigações da Lava Jato. Após passar um período em reclusão no Complexo Penitenciário Bangu 8, no Rio de Janeiro, Esteves cumpre hoje prisão domiciliar em São Paulo.

Marcelo Odebrecht

O ex-presidente da maior empreiteira do País é tido pela força-tarefa da operação como um dos personagens mais importantes no esquema criminoso da Petrobras. Desse modo, as negociações sobre uma possível delação premiada de Marcelo Odebrecht são conduzidas com máxima atenção.

A lista de denúncias que ligam o nome de Lula ao de Odebrecht é extensa: há acusações de que o petista fez lobby para a construtora no exterior; de que a empreiteira comprou o imóvel que abriga o Instituto Lula em São Paulo; de que o empreiteiro pagou reformas no sítio associado a Lula em Atibaia e por aí vai.

Marcelo Bahia Odebrecht está preso desde junho de 2015 e já foi condenado a 19 anos de prisão por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.

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Léo Pinheiro

Assim como Odebrecht, o ex-presidente da construtora OAS não pode ser apontado como um amigo direto de Lula, mas também era alguém que tinha "fácil acesso" ao petista, conforme explicou o procurador Deltan Dallagnol, responsável pela força-tarefa da Lava Jato, nesta quarta-feira.

José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, teria sido um dos responsáveis diretos pelas reformas no tríplex do edifício Solaris, no Guarujá – supostamente de propriedade do petista.

Léo Pinheiro foi preso pela segunda vez no início deste mês após decisão do juiz Sérgio Moro. O empresário já foi condenado a mais de 16 anos de prisão.

Marisa Letícia

Ex-presidente Lula se emocionou durante discurso na sede do Instituto Lula em São Paulo nesta quinta-feira (15)
Globonews/Reprodução
Ex-presidente Lula se emocionou durante discurso na sede do Instituto Lula em São Paulo nesta quinta-feira (15)

A ex-primeira-dama foi denunciada junto a Lula nesta semana por envolvimento em supostas irregularidades na aquisição e reforma de um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo.

Paulo Okamotto

Presidente do instituto que leva o nome do ex-presidente, Paulo Okamotto foi conduzido coercitivamente para depor na Lava Jato no mesmo dia em que Lula falou ao juiz Sérgio Moro, em março deste ano. 

A Procuradoria da República acredita que Okamotto viabilizou, entre 2011 e 2016, a lavagem de R$ 1,2 milhão do dinheiro da OAS em favor de Lula. O presidente do instituto responsável pelo acervo presidencial do petista também aparece na lista de denunciados pelas supostas irregularidades na reforma do tríplex no Guarujá.

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Dilma Rousseff

Embora não seja ré em nenhuma ação penal da Lava Jato, a apadrinhada política e sucessora de Lula na Presidência da República também já foi implicada em depoimentos concedidos à força-tarefa da Lava Jato. O mais incisivo deles foi o do casal de marqueteiros do PT, João Santana e Mônica Moura.

A dupla esclareceu que US$ 4,5 milhões recebidos por meio do doleiro e operador de propinas Zwi Scornicki era dinheiro da campanha eleitoral de Dilma Roussef, em 2010.

Em agosto deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte, autorizou abertura de inquérito para apurar se Dilma, Lula e dois ex-ministros da presidente afastada tentaram obstruir a Justiça no episódio da nomeação do petista para a Casa Civil.

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