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Ex-presidente afirma que procuradores da República deveriam pedir desculpas a ele após denúncia que o apontou como chefe do petrolão

Lula se emociona ao falar da mulher, dos filhos e da trajetória política durante pronunciamento na sede paulista do PT
Globonews/Reprodução
Lula se emociona ao falar da mulher, dos filhos e da trajetória política durante pronunciamento na sede paulista do PT

Cercado por aliados do Congresso Nacional e militantes do Partido dos Trabalhadores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esbravejou contra o Ministério Público Federal e chamou de "pirotecnia" a denúncia que o classificou como "o comandante máximo do esquema de corrupção"  investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato, apresentada por procuradores na quarta-feira (14).

Promovido na sede do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores em São Paulo no início da tarde desta quinta-feira (15), o pronunciamento foi marcado por um discurso no qual Lula relembrou de toda a sua trajetória política, desde os tempos de metalúrgico em São Bernardo do Campo, passando pelas derrotas e vitórias em eleições à Presidência da República, até sua luta de defesa para impedir o impeachment de Dilma Rousseff .

O ex-presidente se emocionou, embargou a voz e escancarou lágrimas em ao menos três momentos do longo pronunciamento de 1h10, especialmente naqueles em que relembrou das investigações contra pessoas de sua família, das dificuldades de sua trajetória política e dos procuradores do Ministério Público Federal, os quais chamou de "analfabetos políticos". Entre os presentes estavam o presidente do PT, Rui Falcão; o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; e os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento ao lado de aliados na sede do diretório paulista do PT
Globonews/Reprodução
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento ao lado de aliados na sede do diretório paulista do PT

"Ontem eu fui vítima de um momento de indignação.  Eu, sinceramnete, nunca pensei passar por isso. Me achincalharam tanto, escreveram tanto, que eu falei, 'puxa vida, esses caras devem ter provas de um crime bárbaro cometido contra o Lula", declarou.

"Eu estava em Brasília e pensei em ir para a China para me esconder. Será que tenho a doença do esquecimento para saber o crime bárbaro que cometi? E descobri que tanto os acusadores como parte da imprensa brasileira estão mais enrascados e comprometidos do que eles pensavam. Porque construíram uma mentira, um enredo como se fosse uma novela. Já caassaram a Dilma, o Temer assumiu com o golpe [...] Agora precisam concluir a novela: quem é o bandido e quem é o mocinho? E quiseram dar um fecho: acabar com a carreira politica do Lula."

Esbravejo contra investigação

Ovacionado com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", o petista não conseguiu evitar o choro ao recordar sobre a forma como alega que vem sendo perseguido. Ações como a condução coercitiva  – quando o investigado é obrigado a depor –, que incluiu uma varredura em suas residências e de filhos foram lembradas em diversos momentos do discurso.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é exaltado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nesta quinta-feira
Ricardo Stuckert/Divulgação - 15.09.16
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é exaltado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nesta quinta-feira

A emoção foi ainda maior quando o petista tocou no ponto de que a denúncia, além dele, inclui sua mulher, Marisa Letícia, com quem é casado desde 1973. "Eu só quero que sejam honestos [os procuradores, promotores e agentes policiais que fazem parte da força-tarefa da Lava Jato]. Só quero que respeitem dona Marisa", disse o petista. "Respeito os parentes desses meninos [os envolvidos na investigação], mas sei que eles não são melhores do que dona Marisa."

Também não faltaram citações a adversários políticos, especialmente no que diz respeito ao impeachment de Dilma Rousseff, contra o qual concentrou esforços para angariar votos. "Eu sempre entendi que o Senado tinha um nivel superior. Eu saía de São Bernardo para ir ao Senado para ver os grandes debates pra política nacional, que dava gosto de ver tribunos tão extraordinários que faziam política lá. Eis que o Senado se apequenou [ao julgar e aprovar o impeachment]", avaliou, aproveitando para exaltar aliados e criticar aqueles que abandonaram o apoio à ex-presidente nos momentos mais decisivos.

"Pouca gente teve e tem a vida mais fiscalizada do que eu, desde os tempos das greves sindicais [...] Penso que o procurador-geral da República deve estar pensativo hoje, penso que os  ministros do judiciário tão pensativo [...] Por que, o que aconteceu? As custas do que este espetáculo [...] Como você apresenta a prova de um crime dizendo que não tem prova, tem convicção [...] Quero dizer às pessoas honestas, seja da Polícia Federal, do MP, da Justiça, que estou à inteira disposição. Quando eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo, mas, quando não transgredir, me deixem em paz pra nao criar problema."

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