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Integrantes de ao menos treze organizações ligadas à luta no campo ocuparam sede da pasta Planejamento, em Brasília, durante a madrugada

Integrantes de grupos sem-terra se reúnem nesta segunda-feira no saguão da entrada do Ministério do Planejamento
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 05.07.16
Integrantes de grupos sem-terra se reúnem nesta segunda-feira no saguão da entrada do Ministério do Planejamento

No dia seguinte às manifestações que se espalharam pelo País  contra Michel Temer, movimentos sem-terra invadiram a sede do Ministério do Planejamento, em Brasília, e iniciaram uma ocupação para pressionar pela queda do governo efetivado no Planalto desde a semana passada, após o impeachment de Dilma Rousseff .

Ao menos treze organizações formadas por sem-terra participaram da invasão, iniciada ainda no final da madrugada desta segunda-feira (5), por volta das 4h50. Seus integrantes afirmam que a ocupação só será encerrada na próxima quarta-feira, feriado nacional, quando é celebrada a Independência do Brasil. 

Os grupos tem como objetivo, além do pedido de renúncia de Temer e da realização de novas eleições diretas para presidente, chamar a atenção para as pautas que abrangem a Jornada de Lutas Unitárias. 

Os principais pontos são "a defesa da soberania nacional, visando especialmente a proteção ao pré-sal; a não aprovação da lei que flexibilizaria a venda de terras brasileiras a estrangeiros; a manutenção da Previdência Social sem reformas; e o direito a uma alimentação mais saudável e menos industrializada para os brasileiros".

“Muita gente daqui de Brasília está vindo dar apoio a nossos pleitos, inclusive fazendo doações de alimentos”, afirma Maria Kazé, integrante da direção do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Ela diz que mais de duas mil pessoas participaram da ocupação – e que o número de adesões pode aumentar. 

"Sabemos que o pré-sal é o motivo pelo qual o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff foi articulado, e que empresas que, no passado se negaram a investir nos estudos que resultaram na descoberta de petróleo no Brasil, estão agora querendo lucrar em cima dele, após os brasileiros terem pago pelas pesquisas e pela tecnologia aplicada para o descobrimento do pré-sal. São abutres querendo pegar nossas riquezas para, depois, ir embora."

Manifestantes ligados a movimentos sem-terra empunham bandeiras dos grupos que apoiam em frente ao ministério
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 05.07.16
Manifestantes ligados a movimentos sem-terra empunham bandeiras dos grupos que apoiam em frente ao ministério

Segundo Alexandre Conceição, coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), o principal objetivo da ocupação do Ministério do Planejamento é “contribuir para a luta unitária em defesa da reforma agrária”. Ele acusa o governo de impedir o acesso a créditos e benefícios por parte dos integrantes do grupo.

"Cerca de 579 mil assentados tiveram benefícios bloqueados pelo TCU [Tribunal de Contas da União]. O que estão tentando fazer é a paralisia total, inclusive orçamentária da reforma agrária, ao mesmo tempo em que se planeja vender terras a estrangeiros”, esbraveja.

"Nossa orientação é para que tudo ocorra dentro da normalidade e sem violência. Quem está sendo violento é este governo golpista. Aproveito para deixar claro a todos os cidadãos brasileiros que, caso ocorra algo, podem ter certeza: não terá partido de nós."

"Movimentozinho"

Efetivado no comando do País desde a semana passada, Temer tem procurado demonstrar pouca preocupação com os movimentos de rua que pedem sua renúncia. Os mais recentes protestos têm sido marcados por cenas de violência em confrontos da Polícia Militar contra manifestantes. 

Na semana passada, durante sua viagem à China para cúpula do G-20, ele afirmou não ver risco de contradições entre seu discurso de reunificação e repacificação nacional e as manifestações contra o governo realizadas nos últimos dias, após o impeachment de Dilma Rousseff. E classificou como coisa de um ou outro "movimentozinho"  os atos organizados contra ele nos últimos dias. 

“A mensagem de reunificação e repacificação nacional que eu lanço não é em benefício pessoal, mas dos brasileiros. E eu sinto que os brasileiros querem isso", disse aos jornalistas que o acompanham na viagem. "Quem muitas vezes se insurge, como um ou outro movimentozinho, é sempre um grupo muito pequeno de pessoas. Não são aqueles que acompanham a maioria dos brasileiros." 

O presidente da República, Michel Temer: ele desqualificou protestos contra seu governo, que reuniram milhares
Beto Barata/PR 03.09.2016
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