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Henrique Meirelles adota discurso diferente do abraçado pelo presidente, que classifica atos contra ele como sendo de um ou outro"movimentozinho"

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: ele foi um dos chefes de pastas que viajaram para reunião do G20
Elza Fiuza/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: ele foi um dos chefes de pastas que viajaram para reunião do G20

Dias após Michel Temer desqualificar os protestos contra seu governo , classificando-os como atos organizados por um ou outro "movimentozinho", o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles discordou do chefe e afirmou que o tamanho das manifestações é, sim, "substancial".

O comentário sobre os atos contra Temer foi feito a jornalistas nesta segunda-feira (5), durante passagem do chefe da Fazenda pela cúpula do G-20, realizada desde o final da semana passada na cidade de Hangzhou, na China.

"Acho que 100 mil pessoas é um número substancial de pessoas", disse Meirelles, levando em conta a somatória do número de manifestantes presentes nos atos que foram realizados no domingo em São Paulo e no Rio de Janeiro . "Mas já tivemos manifestações muito maiores."

O presidente Michel Temer em reunião com o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, nesta segunda-feira, na China
Beto Barata/PR - 05.07.16
O presidente Michel Temer em reunião com o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, nesta segunda-feira, na China

A relativização por parte do ministro teve como base os atos que pediam o impeachment de Dilma  ainda no ano passado, que chegaram, no auge, a levar mais de 2 milhões de pessoas em um único dia às ruas em todo o Brasil. 

Pressão contra Temer

O presidente tem sido alvo de protestos quase diários desde que assumiu efetivamente o Palácio do Planalto, na quarta-feira passada (31), após a votação no Senado Federal que afastou por definitivo Dilma Rousseff da Presidência da República.

Desde então, manifestações, que têm crescido em número e tamanho, vêm ocupando as ruas de diversas cidades do País, especialmente capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, marcadas por conflitos entre policiais militares e manifestantes.

Na sexta-feira, após ter exigido de seus ministros que passem a rechaçar a tese de golpe de Estado alardeada por Dilma e seus aliados, o presidente afirmou não ver risco de contradições entre seu discurso de reunificação e repacificação nacional e as manifestações contra seu governo realizadas nos últimos dias. 

“A mensagem de reunificação e repacificação nacional que eu lanço não é em benefício pessoal, mas dos brasileiros. E eu sinto que os brasileiros querem isso", disse Michel Temer aos jornalistas que o acompanham na viagem. "Quem muitas vezes se insurge, como um ou outro movimentozinho, é sempre um grupo muito pequeno de pessoas. Não são aqueles que acompanham a maioria dos brasileiros."  

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