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Após o Senado manter os direitos políticos da ex-presidente, apoiadores do deputado vão utilizar a decisão para evitar que Cunha perda seu mandato

Eduardo Cunha foi o responsável pela abertura do processo de impeachment contra a agora ex-presidente Dilma Rousseff
Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 14.7.16
Eduardo Cunha foi o responsável pela abertura do processo de impeachment contra a agora ex-presidente Dilma Rousseff

Aliados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pretendem apresentar, durante a votação do processo de cassação do peemedebista na Câmara, destaques e emendas para tentar aprovar uma pena mais branda do que a perda de mandato do parlamentar. 

Eles vão alegar que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, de aceitar a votação em separado do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff  e da sua inabilitação para função pública abre um precedente para se aplicar ao caso Eduardo Cunha .

"Certamente vamos apresentar", afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade. De acordo com o parlamentar, os aliados de Cunha ainda vão se reunir nos próximos dias para analisar melhor a decisão de Lewandowski, fechar a estratégia e decidir de que forma vão apresentar os destaques. 

Outro membro da chamada "tropa de choque" de Cunha na Câmara, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) avalia que a decisão do presidente do STF "abre a possibilidade" para que a defesa do deputado afastado trabalhe para aprovar uma pena mais branda. "Pau que dá em Chico, dá em Francisco", parafraseou. 

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O peemedebista ponderou, contudo, que, mesmo que eles apresentem emendas, Cunha precisará de votos para aprovar a pena mais branda. "Não é só o regimento que vai salvá-lo", afirmou Marun. Ele diz que, como advogado, achou a decisão de Lewandowski "inconstitucional", mas não cabe a ele nem ao PMDB questionar.

Aliados vão alegar que a decisão do presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, de aceitar a votação em separado
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Aliados vão alegar que a decisão do presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, de aceitar a votação em separado

Ex-aliado de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também avaliou que a decisão do presidente do STF "abre um precedente" para o caso do peemedebista. Ele disse estar falando "em tese" e que irá se reunir com sua assessoria técnica e com líderes partidários para avaliar como procederá.

Impeachment

Responsável por deflagrar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o ex-presidente da Câmara e deputado afastado Eduardo Cunha comemorou  nesta quarta-feira (31), por meio de nota, a cassação do mandato da petista. O Senado aprovou a saída dela por 61 votos a 20.

"Como protagonista do processo, (...) vejo que todos meus atos foram confirmados por sucessivas votações, tanto na Câmara quanto no Senado, atestando a lisura dos meus atos", afirmou o peemedebista. Ele disse lamentar que uma "democracia tão jovem" tenha de passar pelo trauma de mais um impeachment de presidente da República.

Para Cunha, as tentativas de Dilma e da defesa dela, por meio de "afirmações falsas de me atribuir qualquer culpa no processo", visa esconder o fato de que, na avaliação do peemedebista, não houve razões suficientes para inocentá-la do crime de responsabilidade que motivou a cassação.

"O Brasil passou e passa por momentos delicados, em que as práticas do governo afastado, além de terem sido repudiadas pela sociedade, obtiveram enfim a punição prevista no nosso ordenamento constitucional", afirmou o ex-presidente da Câmara e algoz de Dilma Rousseff.

Eduardo Cunha disse esperar que o fim do processo possa virar uma "página negra" da história do Brasil, "com o afastamento das nefastas práticas do governo afastado". "E desejamos sucesso ao novo governo que se instala a partir de hoje de forma definitiva", concluiu.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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