Tamanho do texto

Mais de dois anos após o início da operação, continuidade das apurações sobre o esquema de corrupção depende de quatro eixos, que passam pela relação de investigadores com ministros do STF e pela delação da Odebrecht

Um dos eixos que depende o futuro da Operação Lava Jato  é a relação dos investigadores com o Supremo Tribunal Federal
Rosinei Coutinho/SCO/STF
Um dos eixos que depende o futuro da Operação Lava Jato é a relação dos investigadores com o Supremo Tribunal Federal

Passados mais de dois anos do início da Operação Lava Jato , as apurações sobre o esquema de corrupção na Petrobras dependem de quatro eixos, de acordo com procuradores da República ouvidos reservadamente.  Um dos mais importantes, que teve um dos ministros no centro de um embate com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é a relação dos investigadores com o Supremo Tribunal Federal (STF).

LEIA MAIS:  Dilma afirma pagar preço por Lava Jato

A delação dos executivos da Odebrecht, a tentativa do Legislativo de aprovar leis que atravanquem a condução do caso e o processo de sucessão de Janot no ano que vem são outros fatores apontados por membros da força-tarefa na Lava Jato que atua no caso em Brasília.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, na última semana fez críticas aos procuradores após o vazamento de informações sobre a delação premiada da OAS que mencionava outro integrante da Corte, Dias Toffoli. Rodrigo Janot suspendeu as tratativas com a empreiteira após a divulgação e reagiu: "A Lava Jato está incomodando tanto? A quem? E por quê?" No STF, a Lava Jato está a cargo da 2ª Turma do Tribunal. O colegiado é presidido por Mendes – e composto ainda por Teori, Toffoli, Cármen Lúcia e Celso de Mello. 

Cármen assume a presidência da Corte a partir do dia 12 e deixa a cadeira na Turma para o ministro Ricardo Lewandowski. A ministra tem sido dura nos julgamentos sobre casos relacionados à Lava Jato. "Criminosos não passarão", disse, ao votar pela prisão do senador cassado Delcídio do Amaral. Entre investigadores, há um receio de que Lewandowski mostre um perfil jurídico diferente e se "descole" mais do que Cármen dos votos de Teori, relator da operação. Na turma, três votos dos cinco ministros podem arquivar ou autorizar ações penais contra políticos  – e ditar o sucesso das investigações propostas por Janot.

Cármen Lúcia assume a presidência da Corte a partir do dia 12 e  deixa a cadeira na Turma para Ricardo Lewandowski
STF / Divulgação
Cármen Lúcia assume a presidência da Corte a partir do dia 12 e deixa a cadeira na Turma para Ricardo Lewandowski


Prisão

O plenário do STF desempenhará papel decisivo em outra questão: o tribunal irá julgar na quinta-feira (31) ações que questionam a decisão tomada neste ano de permitir a prisão após condenação em 2ª instância – e antes do fim do processo. Para a equipe de Janot, se o Supremo confirmar o seu entendimento, uma verdadeira "fila de delações vai andar", já que executivos e políticos temem ir para trás das grades mais rápido.

LEIA MAIS:  Advogado de 21 anos protocola décimo pedido de impeachment contra Janot

Contudo, das delações já encaminhadas, não é a da OAS e sim a da Odebrecht, em estágio mais avançada, que é vista como maior desafio. Um procurador próximo a Janot prevê que o grupo passe ao menos dois meses debruçado apenas sobre os depoimentos dos executivos da empreiteira.

Articulação

O Ministério Público, com o respaldo popular à operação, encampou o pacote de dez medidas para combate à corrupção, encaminhado ao Congresso. O receio de investigadores é de que, a exemplo do que aconteceu após a Operação Mãos Limpas na Itália, o Legislativo tente nesta discussão aprovar medidas que tornem mais burocráticos processos de investigação.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot tem mais um ano no cargo; ele irá se aposentar em setembro de 2017
Fellipe Sampaio/SCO/STF - 11.03.2015
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot tem mais um ano no cargo; ele irá se aposentar em setembro de 2017


Sucessão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem mais um ano no cargo. Ele irá se aposentar em setembro de 2017. No entanto, a continuidade das investigações é dada como certa, mas podem ocorrer mudanças no grupo de trabalho ligado ao caso. Na gestão de Janot, a ordem é "pau que dá em Chico, dá em Francisco".

LEIA MAIS:  Léo Pinheiro fica em silêncio durante depoimento na Lava Jato

Dentre os pré-candidatos, Janot tem dado força à candidatura de Nicolau Dino, subprocurador-geral da República. A escolha do novo PGR é feita pelo presidente da República, que não é obrigado a indicar o mais votado pela carreira. A expectativa de procuradores que atuam na Operação Lava Jato é de que a disputa de 2017 seja marcada por "patrocínios" políticos.

*Com informações do Estadão Conteúdo