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Procuradores do Ministério Público Federal criticam reportagem sobre acordo de colaboração com o empreiteiro Léo Pinheiro e garantem que o órgão só fechará delações que "efetivamente ajudem nas investigações"

A força-tarefa de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que atua na Operação Lava Jato disse nesta segunda-feira (29) que existe uma “pressão externa” para forçar a aceitação do acordo de delação do ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro. Em nota, os procuradores disseram que a divulgação pela revista "Veja" deste fim de semana de supostos anexos da proposta de colaboração “aponta para a possibilidade de ter ocorrido má-fé na negociação”.

A manifestação foi motivada por reportagem da revista "Veja", publicada no dia 20 de agosto. Para os procuradores da Lava Jato , a “falta de credibilidade dessas posturas” confirma a decisão tomada na semana passada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de encerrar as negociações com a empreiteira.

Negociação de delação premiada com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, foi suspensa por decisão de Rodrigo Janot
Rafael Arbex/Estadão Conteúdo - 15.5.15
Negociação de delação premiada com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, foi suspensa por decisão de Rodrigo Janot

“Em um contexto em que a pretensa colaboração não é convincente o bastante, a criação do relato fora do contexto das negociações revela uma tentativa de forçar os investigadores a aceitar a colaboração mediante pressão externa, a despeito de uma análise apropriada do interesse público envolvido”, diz a nota.

Os investigadores também reafirmaram o compromisso de celebrar somente os acordos de delação que “contribuam efetivamente” para as investigações.

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“Os membros do Ministério Público reiteram seu compromisso com a Constituição Federal, as leis, a sociedade e a justiça. Reafirmam ainda sua intenção de analisar cuidadosamente todas as propostas de acordo de colaboração, para celebrar somente aqueles que contribuam efetivamente para as investigações, garantam a punição dos culpados e maximizem o ressarcimento aos cofres públicos em face dos crimes bilionários de corrupção que sangraram, por mais de uma década, o Brasil”, afirmam os procuradores.

Na semana passada, a divulgação da reportagem provocou polêmica entre Rodrigo Janot e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

O ministro, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), criticou o vazamento de anexos da negociação com Léo Pinheiro na Lava Jato, nos quais o ministro do STF Dias Toffoli é citado. Gilmar criticou o vazamento e pressionou Janot, que rebateu dizendo que os anexos não saíram do Ministério Público Federal.

*Com informações da Agência Brasil