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Com apoio de Lula, petista fala pela primeira vez a parlamentares no processo que pode retirá-la por definitivo da Presidência da República

Estadão Conteúdo

Após mais de três meses afastada da Presidência da República, Dilma Rousseff fala para parlamentares pela primeira vez na manhã desta segunda-feira (29), no julgamento final do impeachment que pode retirá-la por definitivo da função. Ela chegou ao Congresso Nacional pouco depois das 9h, ovacionada por apoiadores que gritavam "Dilma, guerreira, da pátria brasileira. 

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Defensores do impedimento e apoiadores da petista passaram os últimos dias traçando estratégias para evitar que a sessão repita as cenas de baixaria que marcaram o início do julgamento na Casa , quando senadores bateram boca, trocaram ofensas e chegaram a se agredir em plenário, diante do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. 

A presidente afastada Dilma Rousseff: expectativa grande entre senadores de sua primeira  defesa no Congresso Nacional
Roberto Stuckert Filho/PR
A presidente afastada Dilma Rousseff: expectativa grande entre senadores de sua primeira defesa no Congresso Nacional

Segundo os principais líderes de partidos que apoiam o afastamento definitivo, a ideia é tentar se ater, o máximo possível, a questionamentos técnicos sobre os crimes de responsabilidade dos quais Dilma é acusada, como as pedaladas fiscais. A intenção é evitar provocações desnecessárias para impedir que Dilma pose de "vítima".

O acerto dos senadores da base do presidente em exercício Michel Temer, porém, é que caberá à petista dar o clima do depoimento, uma vez que Dilma é primeira a falar no dia.

"Obviamente, se ela errar no tom, as nossas respostas serão no mesmo tom", afirmou o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que afinou a estratégia em reunião com a presença de senadores do PSDB, DEM e PMDB e de outros partidos da base, no domingo (28). "O nosso desejo é que tenhamos uma sessão respeitosa, civilizada. Não vamos fazer provocações, mas também não vamos aceitá-las. Qualquer tipo de provocação será confrontada," fez coro Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

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A avaliação de aliados de Temer é de que a presença de Dilma no julgamento vai referendar a legalidade do processo. Caso a presidente afastada faça ataques fora do escopo do processo, os governistas garantem que pedirão a intervenção de Lewandowski para que ela não se exceda nas respostas ou até mesmo exigir uma réplica.

Maior bancada da Casa, com 19 senadores, e outrora esteio do governo Dilma, o PMDB também deve se esquivar de um embate direto com a presidente afastada. O acerto costurado pelo líder do partido, Eunício Oliveira (CE), é não constrangê-la e também proteger a bancada, que conta com cinco ex-ministros da petista.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: encontros com Dilma para planejar defesa na véspera do depoimento da petista
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: encontros com Dilma para planejar defesa na véspera do depoimento da petista

Por isso, apenas seis senadores do partido se inscreveram para fazer perguntas. Dois deles – a ex-ministra Kátia Abreu (TO) e Roberto Requião (PR)  – favoráveis a Dilma. Oliveira, no entanto, pretendia reduzir ainda mais a lista até o início da sessão. "Se depender de mim, e se alguém me escutar, ninguém fará questionamento", disse o líder do PMDB.

Fator Lula

Dilma era prevista para ser acompanhada por um séquito de apoiadores no Senado. Entre eles, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O temor de senadores governistas era de que a presença do ex-presidente pudesse inflamar a presidente afastada e parlamentares aliados. A ordem era não provocar.

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Outra preocupação era quanto ao tom adotado pela advogada Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment. Antes da sessão, ela havia sinalizado a senadores que seria incisiva, sem, contudo, ser descortês nos questionamentos à presidente afastada.

Na véspera do depoimento da petista, uma reunião na casa da senadora Lídice da Mata (PSB-BA) discutiu a estratégia dos defensores da presidente afastada na sessão desta segunda-feira. O discurso dos aliados ainda afirmavam que era possível reverter o processo e que ela "é a pessoa mais preparada para defender seu governo".

* Com Estadão Conteúdo

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