Tamanho do texto

Segundo dia do julgamento do impeachment é marcado por série de bate-bocas entre aliados de Dilma Rousseff e do presidente interino Michel Temer

Após uma nova pausa para acalmar os ânimos, o segundo dia do julgamento do impeachment teve os trabalhos retomados no início da tarde desta sexta-feira (26). Em um dia tenso entre aliados e opositores de Dilma Rousseff, o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal e juiz do processo no Senado, suspendeu a sessão duas vezes em apenas duas horas.

A suspensão mais longa ocorreu por volta das 11h15, pouco após o início da sessão, quando um debate acalorado entre a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), levou Lewandowski a adiantar o horário do almoço . Minutos antes, Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Lindbergh Farias (PT-RJ) voltaram a trocar ofensas, assim como haviam feito no primeiro dia do julgamento do impeachment .

Tensão

Após Caiado fazer um discurso no qual rebateu argumentação de Gleisi em que ela pedia a desqualificação de testemunhas de acusação– assim como o advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, havia conseguido fazer com um procurador do Tribunal de Contas da União  no dia anterior, ao transformar em informante Júlio Marcelo de Oliveira–, Farias se irritou.

Lindbergh Farias é segurado pelo senador Raimundo Lira durante segundo dia do julgamento de Dilma, nesta sexta-feira
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 26.08.16
Lindbergh Farias é segurado pelo senador Raimundo Lira durante segundo dia do julgamento de Dilma, nesta sexta-feira

"Este senador que me antecedeu é um desqualificado. O que fez com senadora Gleisi é de covardia impressionante, dizer que tentou aliciar testemunha", bradou o petista. Lewandowski não gostou da postura do parlamentar: "Não posso admitir palavras injuriosas dirigidas a qualquer senador. Vou usar meu poder de polícia para exigir respeito mútuo e recíproco."

Caiado respondeu fora dos microfones. Disse que Lindbergh tem mais de 30 processos no STF e "cracolândia em seu gabinete". Como o tumulto continuou, o presidente do STF pediu que os microfones fossem desligados e a sessão suspensa por cinco minutos.

LEIA TAMBÉM:  Dilma confirma que irá pessoalmente ao Senado para fazer sua defesa 

A sessão foi retomada com o apelo feito por Calheiros, que até agora não tinha se manifestado. O peemedebista começou pedindo para que os senadores reduzissem as questões de ordem repetidas, mas esquentou o clima ao lembrar da declaração da véspera da senadora Gleisi Hoffmann que provocou o grande tumulto do dia.

“Esta sessão é uma demonstração de que a burrice é infinita. A senadora Gleisi chegou ao cúmulo de dizer que o Senado não tem condição moral de julgar a presidente”, afirmou Calheiros.

LEIA MAIS:  Segundo dia do julgamento do impeachment tem testemunhas de Dilma

Esquentando ainda mais o ambiente e provocando a reação imediata de petistas, o presidente do Senado lembrou que Gleisi e o marido, o ex-ministro das Comunicações do governo Dilma Paulo Bernardo, foram indiciados por corrupção passiva na Operação Lava Jato . Os dois são acusados de receber propina de contratos oriundos da Petrobras.

LEIA TAMBÉM:  Para acelerar julgamento, senadores do PMDB não farão perguntas a Dilma

Calheiros chegou a afirmar no julgamento do impeachment que o Senado estava passando para a sociedade uma imagem de que Lewandowski estava sendo, constitucionalmente, obrigado a "presidir um julgamento em um hospício" e que nenhum dos lados ganharia esta disputa baseada em bate boca político.   


    Leia tudo sobre: impeachment

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.