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Para José Eduardo Cardozo, partido tem papel na história do Brasil que não pode ser desprezado e precisa repensar seu posicionamento na democracia

Cardozo acredita que o PT ganhou fama negativa ao tentar coibir a corrupção; para ele um dos principais legados de Dilma
Myke Sena/FramePhoto/Estadão Conteúdo - 30.6.16
Cardozo acredita que o PT ganhou fama negativa ao tentar coibir a corrupção; para ele um dos principais legados de Dilma

Ex-ministro da Justiça e atual advogado da presidente afastada Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo avalia que, após a série de escândalos que culminou no enfraquecimento da petista e no processo de impeachment contra ela, o partido precisa fazer uma reflexão para avaliar seus erros. Foi o que ele afirmou durante entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura.

"O PT tem um papel na história do Brasil que não pode ser desprezado [...] O PT precisa, sem mudar de lado, repensar o seu posicionamento na democracia", disse Cardozo. O ex-ministro acredita que o partido ganhou fama negativa  ao tentar coibir a corrupção, que, para ele, é um dos principais legados do governo de Dilma .

Após dizer ter vergonha do sistema político do País, Cardozo ressaltou que o  PT não é a raiz da corrupção no País  e que o Brasil possui, na verdade, um problema institucional, um sistema que gera corrupção, no qual os partidos e os políticos entram no jogo de forma generalizada. 

Presidente afastada Dilma Rousseff deve ir ao Senado na segunda-feira (29) para apresentar a sua defesa no processo
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 16.08.2016
Presidente afastada Dilma Rousseff deve ir ao Senado na segunda-feira (29) para apresentar a sua defesa no processo

Impeachment 

O advogado também falou sobre a reta final do processo de impeachment de Dilma, cujo julgamento se iniciará na quinta-feira (25), avaliando, por exemplo, como positiva a ida da presidente ao Senado para depor , e criticou senadores tucanos que afirmaram que, caso ela esteja presente, irá legitimar o processo que chama de golpe.

"Se fosse correta essa visão, nem advogado deveria ter. Temos de usar o processo para denunciá-lo, usar o golpe para mostrar a farsa que se constrói. Esse é o papel que temos nesse processo se não conseguirmos revertê-lo", afirmou.

O advogado reiterou a tese de golpe de Estado e a ausência de crime de responsabilidade. Em sua leitura, a presidente é vítima de uma confluência de forças: de um lado, aqueles que não aceitaram ter perdido as eleições de 2014; de outro, aqueles que estão insatisfeitos com o avanço da Operação Lava Jato.

Cardozo disse acreditar que Dilma também sofreu com um conjuntura internacional que agravou a crise econômica. Segundo ele, os artífices do processo utilizaram a questão econômica e a baixa popularidade da presidente de forma oportunista.

O julgamento final do impeachment  está marcado para começar no próximo dia 25 e a previsão é que Dilma vá ao Senado apresentar a sua defesa na segunda-feira (29). Os depoimentos das testemunhas de defesa e acusação podem se estender durante o fim de semana. Todo o processo será conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

Veja a trajetória de Dilma Rousseff:


* Com informações do Estadão Conteúdo

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