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Fernando Bittar é o proprietário oficial da propriedade no interior paulista que a investigação da Lava Jato afirma pertencer ao ex-presidente do País

Imagem aérea do sítio em Atibaia, interior de São Paulo, que investigadores acreditam pertencer ao ex-presidente Lula
Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo - 05.02.16
Imagem aérea do sítio em Atibaia, interior de São Paulo, que investigadores acreditam pertencer ao ex-presidente Lula

O empresário Fernando Bittar, sócio de um dos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou à Polícia Federal  que "parte das obras" no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP) foram realizadas "em razão da necessidade de recepção do acervo presidencial do então presidente da República".

Bittar é sócio de Fabio Luís da Silva, o Lulinha, na BR4, holding que controla a Gamecorp e dono oficial da propriedade rural  que a Lava Jato diz pertencer a Lula . Além da suposta ocultação patrimonial, a força-tarefa de procuradores da República e delegados federais aponta que reformas realizadas no imóvel em 2011 e 2014 foram pagas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS e ocultaram propinas do esquema instalado na Petrobras.

Ouvido em São Paulo pelo delegado Márcio Adriano Anselmo, Bittar afirmou que as obras "de segurança, instalação do gerador circuito fechado de TV" "foram realizadas diretamente" por ele.

O investigado confirmou ter conhecido "Paulo Gordilho, funcionário da OAS, quando trataram da questão da reforma da cozinha do imóvel de Atibaia". Para a Lava Jato, a nova cozinha instalada em 2014 foi uma "benesse" concedida pela empreiteira a mando do seu ex-presidente José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, como contrapartida por contratos da Petrobras.

O negócio

Bittar contou à PF que a ideia de compra do sítio de Atibaia "surgiu em uma reunião familiar" entre ele, seus irmãos e o pai, Jacó Bittar – ex-prefeito petista de Campinas, amigo de Lula desde a década de 1970 –, que pensavam no negócio "para que pudessem se reunir receber os amigos."

Ele confirmou que o valor do imóvel, quando foi comprado, em 2010, era de R$ 1,5 milhão, e que era composto por duas propriedades: o Sítio Santa Bárbara e o Sítio Santa Denise. Como que não dispunha na época do dinheiro para pagar o dono, segundo seu testemunho, propôs ao seu Jonas Suassuna, dono do Grupo Editora Gol, que adquirisse uma das partes do Santa Bárbara.

Bittar afirmou à PF que a origem do dinheiro para compra de sua parte, correspondente a R$ 500 mil, foi feito com dinheiro emprestado pelo pai. "Esses valores foram originados da conta bancária do pai do declarante para a conta do declarante", registrou a polícia no termo. "Foram registrados como empréstimo que posteriormente foi lavrado um contrato de doação do valor."

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Ouvido pela PF em março, um funcionário da família Bittar que diz cuidar das propriedades do pai e dos filhos declarou não conhecer o Sítio Santa Bárbara. Celso Viera Prado estava em outro imóvel rural registrado em seu nome, no município de Manduri (SP). No depoimento desta quinta-feira, Bittar citou os imóveis que tem em Manduri. Segundo ele, o sítio seria vendido em 2010 para que ele pudesse comprar a propriedade em Atibaia. Mas a venda não foi realizada após obter o empréstimo do pai e a parceria com o sócio.

Bittar disse que é sócio das empresas Coskin, G4 e BR4, sendo esta última uma holding com participação na empresa Gamecorp. Procurado por meio de sua defesa, o empresário não foi localizado para comentar o depoimento do funcionário, que disse desconhecer a propriedade em Atibaia.

Na quinta-feira (19), o pecuarista José Carlos Bumlai, que ficou conhecido na mídia como o "amigo de Lula", afirmou em depoimento que a ex-primeira-dama Marisa Letícia e Bittar queriam fazer obras no local para que a família pudesse passar os fins de semana e acomodar alguns materiais. 

* Com informações do Estadão Conteúdo 

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