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Escalada de críticas dos tucanos à equipe econômica do governo do presidente em exercício tem causado desconforto ao Palácio do Planalto

Estadão Conteúdo

Temer tem reiterado que não será candidato na próxima eleição, para amenizar as desconfianças no aliado PSDB
Valter Campanato/Agência Brasil
Temer tem reiterado que não será candidato na próxima eleição, para amenizar as desconfianças no aliado PSDB

O presidente em exercício Michel Temer convidou o senador Aécio Neves (MG) e a cúpula tucana no Congresso para um jantar nesta quarta-feira (17) no Palácio do Jaburu. O encontro é uma tentativa de diminuir os desgastes com o PSDB. A escalada de críticas dos tucanos à equipe econômica, liderada pelo ministro Henrique Meirelles (Fazenda), e ao fato de o governo ceder em negociações que envolvem o ajuste fiscal, tem causado desconforto ao Palácio do Planalto.

Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e um dos mais próximos conselheiros de Temer , rebateu críticas dos tucanos a Meirelles. Segundo ele, “a experiência mostra não ser recomendável transformar o ministro da economia em vítima de manipulação eleitoral”.

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O presidente interino quer aproveitar a conversa com lideranças do PSDB para pedir apoio dos deputados e senadores ao Ministro da Fazenda. Para o Planalto, as críticas têm atrapalhado a aprovação das “importantes medidas” em tramitação no Congresso e consideradas “fundamentais” para a retomada do crescimento e da economia. 

O governo quer evitar que a antecipação do debate sobre a eleição presidencial de 2018 contamine todo este processo. Michel Temer tem reiterado que não será candidato na próxima eleição, a fim de amenizar as desconfianças no principal partido aliado do governo interino.

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O fato de Meirelles ser também um potencial candidato à Presidência em 2018 foi identificado pelo Planalto como o principal incômodo do PSDB com o titular da Fazenda. Contudo, o governo considera que uma eleição vitoriosa para qualquer aliado só se tornará viável se o combate à inflação tiver sucesso, levando à retomada do crescimento e dos empregos. Portanto, é preciso aprovar as medidas de ajuste no Congresso. 

Temer quer aproveitar a conversa com lideranças do PSDB para pedir apoio dos deputados e senadores a Meirelles
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 20.6.16
Temer quer aproveitar a conversa com lideranças do PSDB para pedir apoio dos deputados e senadores a Meirelles


Durante a discussão das medidas de renegociação da dívida dos Estados e até a aprovação de aumento salarial para várias categorias, Meirelles já havia sido alvo de críticas dos tucanos. De acordo com alguns líderes do PSDB, o governo e o ministro da Fazenda estavam cedendo demais aos partidos da base aliada em pontos que consideravam fundamentais para o ajuste. 

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Michel Temer pretende dizer aos tucanos que é importante para todos que queiram disputar a eleição de 2018 concentrar suas forças na busca pelo entendimento em torno do governo que se formou a partir do processo de impeachment. 

"Erro"

Temer vai repetir que foi “um erro” a antecipação do debate das eleições de 2018 trazido por Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. Os tucanos têm ao menos três nomes como presidenciáveis: o presidente do partido, Aécio Neves; o ministro das Relações Exteriores, José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Por causa de votações no Congresso, o jantar previsto para esta quarta-feira já foi desmarcado duas vezes. A ideia do Planalto é que o encontro ocorra depois da aprovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU).

* Com informações do Estadão Conteúdo

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