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Prefeito de SP lamenta falta de espaço para discutir aspectos filosóficos do processo de afastamento e cita especialistas de literatura internacional

Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, mudou seu discurso e passou a usar expressões que adjetivam o termo golpe
Wilson Dias/Agência Brasil/Fotos Públicas
Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, mudou seu discurso e passou a usar expressões que adjetivam o termo golpe

Após dizer em entrevista que "golpe" é uma palavra "um pouco dura" para qualificar o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), mudou o discurso e passou a usar expressões que adjetivam o termo como "golpe velado", "golpe brando" e "golpe encoberto", durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (15) no Tatuapé.

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"Apesar de ser uma palavra dura, que remete a uma situação de força, você tem uma quebra de ordem constitucional porque não há crime de responsabilidade apurado contra a presidente Dilma. Os especialistas usam a palavra golpe encoberto, qualificam a palavra. Golpe velado, golpe encoberto, golpe brando", avaliou  Haddad .

O prefeito se justificou afirmando que é assim que a literatura internacional tem tratado “os golpes recentes no mundo que seguem ritos legais que dão a impressão de normalidade democrática”.

Haddad, que é professor doutor em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), lamentou a falta de espaço para discutir aspectos filosóficos do processo de impeachment e citou na coletiva um dos especialistas de "literatura internacional".

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"O Noam Chosmky (filósofo, linguista e ativista político americano), por exemplo, que é um autor que eu admiro, usa a expressão 'soft coup' (em português, golpe brando) para falar desse tipo de ação. É muito comum hoje na literatura. É que, infelizmente, estamos tendo pouco espaço para discutir a literatura de ciência política e filosofia política", criticou.

Haddad participa de plenária no fim de semana ao lado de Lula: a primeira de uma série de sua campanha para reeleição
Facebook/Reprodução
Haddad participa de plenária no fim de semana ao lado de Lula: a primeira de uma série de sua campanha para reeleição

O prefeito explicou que a expressão "soft coup" não é nova, está "quase consolidada" na literatura internacional e também circula em textos de língua portuguesa. "Embora a maioria seja em língua estrangeira, já existem vários textos circulando em português qualificando e distinguindo os golpes contemporâneos dos golpes dos anos 60 e 70, que eram com outras características. Por isso que se agrega um adjetivo à palavra para dar a dimensão do tipo de fenômeno que está sendo mais frequente hoje."

Questionado se a situação política do Brasil pode ser comparada à de outros países, Haddad não respondeu e sugeriu que os jornalistas fizessem uma pesquisa na literatura internacional. Em maio, em entrevista ao programa de notícias norte-americano 'Democracy Now', Chomsky usou o termo "golpe brando". No debate, Chomsky citou os processos políticos de tentativas de destituição presidencial dos últimos 15 anos em países da América Latina, como Venezuela (2002), Haiti (2004), Honduras (2009) e Paraguai.

Desconforto

Na semana passada, Haddad participou de uma plenária em Guaianases com Lula, que marcou o início da campanha petista na capital . "Acabamos de ver 342 deputados em Brasília darem um golpe no voto de vocês. Tem que levar em conta que o golpe na Dilma foi um golpe na mulher brasileira", disse Lula ao lado do candidato à reeleição, que, momentos antes, havia remodelado seu discurso ao fazer referência ao "golpe contra a democracia".

No dia seguinte à plenária com Lula, o prefeito participou de um evento político no Sindicato dos Arquitetos de São Paulo (SASP) no qual afirmou que o processo contra Dilma "é golpe porque estão descumprindo a Constituição em um quesito básico". Um vídeo de 40 segundos com a declaração do petista foi postado nesta segunda-feira (15) na página de uma rede social do candidato a vereador e ex-secretário de Haddad, Nabil Bonduki (PT).

* Com informações do Estadão Conteúdo

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