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Bancadas de outros partidos da base aliada começam a ser influenciadas e já admitem que podem seguir o exemplo dos parlamentares peemedebistas

Segundo parlamentares, mais da metade dos 66 membros do PMDB  na Câmara pode faltar à votação  de Eduardo Cunha
Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Segundo parlamentares, mais da metade dos 66 membros do PMDB na Câmara pode faltar à votação de Eduardo Cunha

Na Câmara dos deputados, a bancada do PMBD articula para esvaziar a sessão que analisará o pedido de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Marcada para o dia 12 de setembro , a data da votação foi confirmada nessa quinta-feira (11) pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

Bancadas de outros partidos da base aliada começam a ser influenciadas, principalmente do Centrão – grupo de siglas liderado por PTB, PP e PSD e que apoia Cunha . Deputados de algumas dessas bancadas já admitem que podem seguir o exemplo do PMDB.

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Segundo parlamentares do partido de Eduardo Cunha, mais da metade dos 66 membros da legenda na Câmara pode faltar à votação. "Há um movimento grande para o pessoal se ausentar no dia da votação", diz um influente deputado do PMDB. A necessidade de ficar próximo à base eleitoral por causa da campanha municipal será a desculpa oficial.

Os peemedebistas evitam comentar o assunto publicamente. Nos bastidores, relatam desconforto de votar contra um correligionário. Com a pressão da opinião pública e a proximidade das eleições, a avaliação é de que seria difícil comparecer à sessão e votar a favor de Cunha. Alguns deputados do PMDB relatam também a pressão do ex-presidente da Câmara para faltar ou votar a seu favor.

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Parlamentares relatam que não houve pressão do Palácio do Planalto como tampouco houve, de acordo com eles, na análise do recurso de Cunha na Comissão de Constituição e Justiça. Na ocasião, dos 10 peemedebistas, 5 votaram contra e 5 a favor do recurso, que acabou rejeitado por 48 a 12.

Decisão

A previsão é de que a maioria dos deputados que pretendem comparecer votará a favor da cassação de Cunha. Até o momento, contudo, são poucos os que afirmam abertamente isso, como Jarbas Vasconcelos (PE) e Vitor Valim (CE). 

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia  afirmou que só prosseguirá  a votação com pelo  menos 400 deputados presentes
Wilson Dias/Agência Brasil
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia afirmou que só prosseguirá a votação com pelo menos 400 deputados presentes

"Já tomei minha decisão, mas ainda não é o momento de torná-la pública", diz o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Para ele, a Câmara tem de trabalhar para que a votação seja a mais isenta possível. "Vamos julgar um de nossos pares, tem de ter cuidado", afirma. 

O movimento de esvaziamento no PMDB já anima deputados do PP e de outras siglas menores que não querem votar contra Cunha a também faltar à sessão. Estes parlamentares argumentam que o exemplo do próprio partido do deputado afastado diminui a cobrança sobre eles.

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Partidos que são declaradamente favoráveis à cassação de Eduardo Cunha minimizam o efeito da articulação para esvaziar a votação. "O dia que marcar vai ter 500 deputados. Quem vai ter coragem de faltar com a pressão pública e em plena campanha eleitoral?", diz o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já afirmou que só prosseguirá a votação se houver pelo menos 400 deputados presentes. Do contrário, cancelará a sessão e marcará uma nova data, até conseguir o quórum. Maia teme que uma eventual salvação de Cunha manche sua biografia.

Alessandro Molon promete apresentar requerimento de convocação extraordinária pedindo a antecipação da votação
Alan Sampaio / iG Brasília
Alessandro Molon promete apresentar requerimento de convocação extraordinária pedindo a antecipação da votação


'Armação'

Para deputados da oposição, a data escolhida por Rodrigo Maia tem ares de "armação". "Julgamento de Cunha para 12 de setembro cheira a armação. Dia 12 é uma segunda-feira, quando nem os governos com interesse em matérias conseguem quórum", diz Chico Alencar (PSOL-RJ).

Para Alencar, a desculpa do plenário esvaziado será a "senha" para o presidente da Câmara dispensar os parlamentares e só votar a cassação de Cunha após as eleições, como defendem os aliados do peemedebista. "Não daremos trégua aos que temem que Cunha revele o que sabe", promete.

"É uma data que tem tudo para não dar certo, seja pela proximidade da eleição, seja por ser uma segunda", critica Alessandro Molon (RJ), líder da Rede, que promete apresentar requerimento de convocação extraordinária pedindo a antecipação da votação.

A inclusão do requerimento na pauta de votações, porém, depende de decisão do próprio presidente da Câmara, o que diminui as chances de o pedido de antecipação da votação de Cunha ser submetido ao plenário.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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