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Ex-primeira-dama e filho mais velho de Lula foram intimados a prestarem esclarecimentos sobre compra e reformas no sítio investigado pela Lava Jato

Vista aérea do sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Atibaia, no interior de São Paulo
Carlos Nardi/Wpp/Estadão Conteúdo - 08.04.16
Vista aérea do sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Atibaia, no interior de São Paulo

O delegado federal Marcio Adriano Anselmo, da Operação Lava Jato, classificou como "lamentável" a decisão da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva e do filho mais velho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, de ficarem em silêncio sobre o sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). Marisa Letícia e Fábio Luís foram intimados a prestarem "esclarecimentos" sobre a compra e reformas no sítio, investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.

A defesa de Lula disse, em ofício, à PF que sua família "nada tem a acrescentar" sobre a compra e reforma no Sítio Santa Bárbara , em Atibaia (SP). Os advogados do ex-presidente alegam que a legislação não obriga a mulher e o filho do petista a depor como testemunhas.

Em despacho na quinta-feira (11), o delegado Marcio Anselmo manteve os depoimentos. "Quanto ao requerido por Marisa Letícia Lula da Silva e Fábio Luis Lula da Silva, na qual afirmam que pretendem utilizar-se do direito constitucional de permanecer em silêncio, cumpre aqui destacar que trata-se de oportunidade assegurada aos investigados para que possam esclarecer os fatos apurados na presente investigação em seu desfavor", afirmou.

"De qualquer forma, mantenho as oitivas dos referidos, a ser realizada em data designada para, querendo, apresentarem suas versões sobre os fatos."

 Lula foi denunciado há 14 dias por tentativa de obstrução às investigações da Lava Jato, junto ao ex-senador Delcídio
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula - 28.03.16
Lula foi denunciado há 14 dias por tentativa de obstrução às investigações da Lava Jato, junto ao ex-senador Delcídio

Lula é investigado em três inquéritos principais na da Lava Jato: um sobre a compra e reforma do sítio Santa Bárbara, sobre compra e reforma do tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista, e sobre recebimentos do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras e Eventos – do ex-presidente.

No Supremo Tribunal Federal (STF), Lula foi denunciado há 14 dias por tentativa de obstrução às investigações da Lava Jato , junto ao ex-senador e ex-líder do governo Delcídio do Amaral. Os dois teriam tentado pagar para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fizesse acordo de delação premiada.

A Lava Jato considera ter elementos para apontar que o sítio e o tríplex, apesar de estarem registrados em nome de terceiros, eram de Lula – que seria beneficiário de recursos de propina da Petrobras.

Para os delegados e procuradores, a compra e a reforma dos imóveis envolveram empreiteiras do cartel que fatiavam obras na Petrobras mediante pagamentos de propinas para PT, PMDB e PP.

Laudo produzido pela PF neste inquérito sobre o sítio apontou que o imóvel foi reformado em duas ocasiões pelas empreiteiras OAS e Odebrecht, com a participação direta de outro alvo da Lava Jato, o pecuarista amigo de Lula José Carlos Bumlai.

A defesa de Lula afirmou em diversas ocasiões que tanto o sítio em Atibaia quanto o apartamento na cidade do litoral paulista não pertencem ao ex-presidente.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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