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Presidente em exercício Michel Temer ampliou a vantagem que obteve há quase três meses quando Dilma Rousseff foi afastada do Planalto

Michel Temer: na quarta-feira (10),  foram 59 votos favoráveis ao julgamento de Dilma  Rousseff e 21 contrários
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 02.06.16
Michel Temer: na quarta-feira (10), foram 59 votos favoráveis ao julgamento de Dilma Rousseff e 21 contrários

Na madrugada dessa quarta-feira (11) o presidente em exercício Michel Temer ampliou a vantagem que obteve há quase três meses, quando Dilma Rousseff foi afastada do Planalto. O Senado aprovou a continuidade do impeachment da petista. A conquista de votos a mais foi efetivada com a promessa de distribuição de cargos a apadrinhamento de senadores, a garantia de retomada de obras de interesse dos parlamentares, além da atuação dos peemedebistas no Senado, Renan Calheiros (AL), presidente da Casa, Eunício Oliveira (CE), líder da bancada, e o presidente em exercício da legenda, Romero Jucá (RR).

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Michel Temer assumiu interinamente quando o afastamento temporário de Dilma foi aprovado no Senado em 12 de maio por 55 votos a favor e 22 contra . Na ocasião, Renan não votou – uma prerrogativa do presidente da Casa. Houve duas ausências: Eduardo Braga (PMDB-AM) e Jader Barbalho (PMDB-PA). Pedro Chaves (PSC-MS), suplente do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), ainda não tinha tomado posse.

Na quarta-feira, foram 59 votos favoráveis e 21 contrários. Desta vez, Jader, Braga e Chaves votaram contra Dilma. O senador João Alberto Souza (PMDB-MA) foi favorável a petista na primeira sessão, mas agora votou pelo julgamento da presidente afastada.

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Souza disse que a mudança de voto se deu por “questões políticas”. "A minha postura foi em função da conjuntura política. Não foi em função de haver cometido ou não o crime. É uma postura de achar que, no momento, fica muito difícil para a presidente governar", esclareceu. "Diga-se de passagem, Temer nunca pediu o meu voto. Mas, evidentemente, conversei com o meu partido."

Michel Temer acompanhou a sessão de pronúncia pelo telefone ou por informes de aliados e ministros, entre eles Renan, Eunício e Jucá, estes últimos estiveram reunidos com o presidente em exercício ao longo do dia.

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Alegando motivos de saúde, Jader e Braga estiveram ausentes na primeira votação e, na quarta-feira apoiaram o andamento da ação contra Dilma. Jader conseguiu alavancar a carreira do filho entre os dois governos. Helder Barbalho, que foi ministro da Secretaria Especial de Portos de Dilma, se tornou ministro da Integração Nacional de Temer, pasta com forte influência nas regiões Norte e Nordeste.

Voto de Cristovam Buarque (PPS-DF) foi novidade; o voto dele não era contabilizado como apoio a Michel  Temer
Ag. Senado
Voto de Cristovam Buarque (PPS-DF) foi novidade; o voto dele não era contabilizado como apoio a Michel Temer

Eduardo Braga é ex-líder do governo Dilma e ex-ministro de Minas e Energia da petista. De acordo com interlocutores de Temer no Congresso, Braga manteve aliados em cargos estratégicos no setor elétrico. Pedro Chaves, o discreto suplente de Delcídio, não pediu cargos no Executivo, segundo interlocutores do governo.

O Planalto contava que teria de 57 a 59 votos a favoráveis. O governo acreditava que teria os votos de Elmano Férrer (PTB-PI) e Otto Alencar (PSD-BA). Renan garantiu, reservadamente, que conquistaria os dois. Contudo, Otto e Elmano votaram contra tornar Dilma ré.

Os votos de Cristovam Buarque (PPS-DF) e Romário (PSB-RJ) foram a novidade. Mesmo tendo se posicionado em maio pelo afastamento de Dilma, os votos dos dois não eram contabilizados como apoio a Temer. Romário emplacou a ex-deputada Rosinha da Adefal na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério da Justiça. Ele ainda quer um indicado dele em Furnas. Romário nega barganhar cargos. 

Obras

Ao se aproximar de Michel Temer, Renan sugeriu ao presidente em exercício uma parceria para a conclusão de obras. Temer topou e conseguiu um pretexto para se reunir com senadores. Renan, o único a não votar na quarta-feira, tem feito esforço para acelerar o impeachment. Ainda que negue indicações, ele manteve Vinícius Lages na presidência do Sebrae e avalizou o ex-ministro de FHC Juarez Quadros para o comando da Anatel. O presidente do Senado ainda deve garantir o deputado pelo PMDB alagoano Marx Beltrão ou outro nome no Turismo.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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