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A Operação Irmandade é um desdobramento da Operação Pripyat, em que foi investigado desvio milionário nas obras de Angra 3 da Eletronuclear

Empresário Samir Assad, irmão do empresário e lobista Adir Assad, condenado na Operação Lava Jato, foi preso
Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo - 07.07.16
Empresário Samir Assad, irmão do empresário e lobista Adir Assad, condenado na Operação Lava Jato, foi preso

A Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram nesta quarta-feira (10), a Operação Irmandade, mais um desdobramento da Operação Lava Jato. Um mandado de prisão foi cumprido e uma busca e apreensão foi realizada em São Paulo. Ao todo, 11 denunciados são investigados. Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ.

O empresário Samir Assad, irmão do empresário e lobista Adir Assad, condenado na Operação Lava Jato , foi preso durante a manhã. 

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Lava Jato denuncia 15 por propinas nas obras do centro de pesquisas da Petrobras

A Operação Irmandade é um desdobramento da Operação Pripyat, em que foi investigado desvio milionário nas obras de Angra 3 da Eletronuclear. Durante a operação, foram presas 10 investigados vinculados ao núcleo administrativo de organização criminosa estruturada para desviar recursos públicos.

O empresário, Adir Assad é investigado nos escândalos na Petrobras, na Eletronuclear e nas obras da construtora Delta, sobretudo no Rio de Janeiro. O empresário e lobista foi alvo de três mandados de prisão preventiva em um ano e três meses. A mais recente foi decretado na Pripyat.

Entenda tudo da Operação Lava Jato

A Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 17 de março de 2014, visa a desmontar um esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas que movimentou centenas de milhões de reais. As investigações indicam a existência de um grupo brasileiro especializado no mercado ilegal de câmbio. Em seu centro estão funcionários do primeiro escalão da Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil.

A PF apontou o pagamento de propina envolvendo executivos de empresas, especialmente empreiteiras, que assinaram contratos com a companhia de petróleo e políticos. Entre os crimes cometidos, aponta a investigação, estão sonegação fiscal, movimentação ilegal de dinheiro, evasão de divisas, desvio de recursos públicos e corrupção de agentes públicos.

O caminho do dinheiro

De acordo com as investigações da PF, existe uma ligação entre o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa com o esquema de lavagem de dinheiro operado pelo doleiro Alberto Yousseff. Costa foi preso pela Polícia Federal em 20 de março, enquanto destruía documentos que poderiam ter relação com o inquérito. Em depoimento à Justiça Federal, em outubro, ele revelou o pagamento de propina na Petrobras. 

Segundo o ex-executivo da companhia, o dinheiro era cobrado de fornecedores da estatal e redirecionado a três partidos: PT, PMDB e PP. As legendas teriam utilizado os valores na campanha de 2010. Os partidos negam que isso tenha ocorrido. Como decidiu colaborar com as investigação, Costa conseguiu um acordo de delação premiada homologado pela Justiça.

Este tipo de acerto pode ajudar na redução de sua pena em caso de condenação na Lava Jato. O mesmo tipo de acerto foi negociado pelos advogados de Alberto Youssef, que deram uma série de depoimentos à Justiça Federal, contribuindo com informações sobre os envolvidos no esquema dentro dos partidos.