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Presidente afastada foi convencida de que chamar parlamentares de golpistas poderia fazê-la perder votos no julgamento final do impeachment

Sessão final do impeachment da presidente Dilma Rousseff poderá ocorrer já a partir de 25 de agosto, uma quinta-­feira
Roberto Stuckert Filho/PR
Sessão final do impeachment da presidente Dilma Rousseff poderá ocorrer já a partir de 25 de agosto, uma quinta-­feira

A presidente afastada Dilma Rousseff fez nesta quarta-feira (10) um acordo com senadores aliados para retirar a palavra "golpe" da carta que vai divulgar nos próximos dias, quando se referir ao processo de impeachment.

Em reunião com senadores que a apoiaram , um dia após virar ré no processo, Dilma afirmou que, pessoalmente, defendia a inclusão do termo, mas aceitou os argumentos de que chamar parlamentares de golpistas, neste momento, pode fazê-la perder ainda mais votos.

Na "Carta aos Senadores e ao Povo Brasileiro", que está sendo reescrita, a presidente afastada também vai demonstrar disposição para atuar pela concertação nacional, apoiando a Operação Lava Jato. O documento terá frases de efeito. Dilma vai dizer, por exemplo, que seu partido é o Brasil e assumirá erros políticos no relacionamento do governo petista com o Congresso.

Embora nos bastidores o impeachment seja considerado irreversível, os aliados da presidente afastada procuram em público demonstrar resistência. Na madrugada desta quarta-feira (10), o Senado decidiu, por 59 votos favoráveis e 21 contrários , que Dilma irá a julgamento na Casa. Para que ela deixe definitivamente o cargo são necessários 54 votos, e a decisão final, no plenário do Senado, deve ser tomada no fim deste mês.

80 senadores votaram no plenário do Senado e aprovaram parecer de Antonio Anastasia e continuidade do processo
ane de Araújo/Agência Senado - 9.8.16
80 senadores votaram no plenário do Senado e aprovaram parecer de Antonio Anastasia e continuidade do processo

O presidente do PT, Rui Falcão, participou do almoço desta quarta-feira com Dilma, senadores e dirigentes de partidos aliados. Falcão manifestou, mais uma vez, sua posição contrária à proposta de convocação de um plebiscito para antecipar as eleições de 2018, sob o argumento de que, na prática, isso é inviável.

Dilma, porém, discordou de Falcão. "Vou manter o plebiscito", afirmou a petista. "Apesar das posições diferentes, dissemos ali que ela não perderá apoio por causa desse assunto. Isso não vai ser motivo de crise nem com o PT nem com os partidos aliados nem com os movimentos sociais", comentou o senador Humberto Costa (PT-PE).

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que, embora Dilma não tenha cedido nesse ponto, concordou, após muitas ponderações em retirar a menção ao que seus defensores classificam como "golpe" parlamentar. Tudo para não melindrar os senadores, às vésperas do julgamento final. "Esse foi o acordo de hoje. Não haverá menção a golpe. Se mudarem de novo, estarão quebrando o acordo", observou Randolfe.

Impeachment

Após a votação no plenário do Senado aprovar o parecer da Comissão Especial de Impeachment, Dilma Rousseff se tornou ré no processo. A decisão abre caminho para que ela seja julgada por crime de responsabilidade.

Os senadores vão agora votar separadamente, em destaques, se aceitam, uma a uma, três das
quatro acusações apresentadas no relatório da comissão contra a presidente afastada. Isso
significa que, apesar de já ter dado prosseguimento ao processo, parte das irregularidades
atribuídas à petista pode ainda ser retirada do texto, o que, no entanto, é improvável.

A sessão final do impeachment de Dilma  poderá ocorrer já a partir de 25 de agosto, uma quinta-­feira. A acusação pretende antecipar a entrega de suas alegações finais, numa estratégia para que os prazos processuais corram mais rapidamente.

Relembre a trajetória de Dilma Rousseff:


* Com informações do Estadão Conteúdo

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