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Senador classifica afastamento de Dilma Rouseff como "não legal" e faz apelo para que governo norte-americano evite demonstrar apoio a Temer

O democrata Bernie Sanders declarou apoio a Dilma Rouseff em texto publicado em seu site oficial na segunda-feira (8)
Josh Edelson/Agence France Presse
O democrata Bernie Sanders declarou apoio a Dilma Rouseff em texto publicado em seu site oficial na segunda-feira (8)


Derrotato nas prévias democratas para as eleições à presidência dos Estados Unidos , o senador Bernie Sanders afirmou na noite de segunda-feira (8) que o processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rouseff tem características de um golpe de Estado.

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Em nota divulgada em seu site oficial, Sanders declarou que defende a realização de eleições presidenciais antecipadas como solução para a crise política brasileira e pediu intervenção norte-americana no processo de impeachment. Para ele, os EUA deveriam adotar “uma posição definitiva contra os esforços para remover Dilma do cargo”.

"Depois de suspender a primeira presidente do Brasil com base em alegações duvidosas, o novo governo aboliu os ministérios  das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Eles imediatamente substituíram uma administração diversa e representativa por um gabinete formado totalmente por homens. A nova e não-eleita administração rapidamente anunciou planos de impor austeridade, aumentar privatização e estabelecer uma agenda social de direita", criticou o senador.

"Os Estados Unidos não podem ficar em silêncio enquanto as instituições democráticas de um de nossos mais importantes aliados são solapadas. Nós temos de ficar ao lado das famílias trabalhadores do Brasil e demandar que essa disputa seja resolvida com eleições democráticas."

Michel Temer foi vaiado durante o curto tempo em que discursava na cerimônia de abertura dos jogos Olímpicos, no Rio
Beto Barata/PR - 05.07.2016
Michel Temer foi vaiado durante o curto tempo em que discursava na cerimônia de abertura dos jogos Olímpicos, no Rio


Cenário

Duas semanas antes de o senador expor sua visão sobre a política brasileira, 40 deputados democratas enviaram carta ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, expressando preocupação em relação ao processo de impeachment no Brasil. No texto, os parlamentares pediram que o chefe da diplomacia no País evitasse gastos que pudessem ser interpretados como apoio ao governo interino.        

Apesar do apelo dos deputados, Kerry representou os EUA durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Maracanã e permaneceu ao lado de Michel Temer ao longo de todo o evento. O secretário de Estado também se reuniu com José Serra – ministro das Relações Exteriores empossado pelo governo interino – e elogiou abertamente os esforços do Brasil no combate à corrupção.

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"Eu acho que é apenas uma declaração honesta dizer que, ao longo dos últimos anos, as discussões políticas aqui no Brasil não permitiram a realização total, por assim dizer, do potencial desta relação", declarou o secretário norte-americano à imprensa, ao lado de Serra.

Tensão

A relação entre os governos brasileiro e norte-americano está estremecida desde 2013, quando a presidente afastada Dilma Rouseff cancelou uma viagem que faria aos EUA em resposta às revelações de que seus e-mails e telefonemas haviam sido monitorados pela Agência de Segurança Nacional (NSA). A viagem acabou sendo realizada dois anos mais tarde, em 2015, sem, no entanto, dissipar a tensão.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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