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Nesta quinta-feira (4), partido vai discutir composição de chapas e alianças entre candidatos; "ares de Brasília não passam por aqui", diz integrante do PT

A relação entre Dilma Rouseff e o partido ficou delicada depois que ela defendeu reformas e fez críticas à atuação do PT
Roberto Stuckert Filho/Presidência da República
A relação entre Dilma Rouseff e o partido ficou delicada depois que ela defendeu reformas e fez críticas à atuação do PT


Em reunião marcada para esta quinta-feira (4) em São Paulo, a Comissão Executiva Nacional do PT deve definir a atuação do partido nas eleições municipais de outubro. De acordo com dirigentes, o impeachment da presidente afastada Dilma Rouseff – que deve começar a  ser votado no próximo dia 25  – não é uma questão prioritária.

No encontro, os dirigentes petistas devem avaliar a composição das chapas e a posição do partido em 89 cidades paulistas onde haverá segundo turno. Outra prioridade é julgar os recursos de candidatos cujas alianças foram barradas por instâncias superiores do partido. Por isso, segundo os dirigentes, a manutenção do mandato de Dilma deverá ficar em segundo plano.

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"A reunião da Executiva é para discutir eleição. Acho que não vai dar nem tempo de falar sobre o golpe. Os ares de Brasília não têm passado por aqui", afirmou Francisco Rocha, coordenador da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a maior do PT.

Tensão

O momento é delicado para a relação de Dilma com o Partido dos Trabalhadores. Na última terça-feira (2), a presidente defendeu, em entrevista, que o PT deve passar por uma “transformação”  depois de ser alvo de uma série de denúncias de corrupção na Operação Lava Jato, além do próprio processo de impeachment, que tirou o PT do governo federal depois de 13 anos no Palácio do Planalto.

Convenção do PT confirmou o atual prefeito Fernando Haddad como candidato do partido à reeleição em São Paulo
Facebook/Reprodução
Convenção do PT confirmou o atual prefeito Fernando Haddad como candidato do partido à reeleição em São Paulo


Dias antes, ela havia dito que, se houve caixa dois em suas campanhas, a responsabilidade seria do partido . As declarações irritaram setores do PT. "Concordo quando Dilma diz que é necessária uma transformação do PT. Mas não adianta só falar. Ela deveria ter ajudado muito mais com ações concretas. E não ajudou", critica Rocha.

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Os dirigentes disseram, porém, que o partido continua engajado na defesa de Dilma de forma institucional. O presidente da legenda, Rui Falcão, senadores e deputados petistas e integrantes de movimentos sociais ligados ao partido têm dialogado com frequência com a presidente afastada para traçar estratégias que ajudem no convencimento de senadores indecisos .

Carta

Na próxima quarta-feira (10), a presidente afastada deve apresentar uma carta à população  na qual vai se comprometer, caso volte ao poder, a adotar uma política econômica diferente da que foi adotada no segundo mandato. O texto também deve defender um plebiscito para realização de uma ampla reforma política e a realização de novas eleições para presidente e tem como alvo senadores indecisos ou descontentes com o governo interino de Michel Temer.

Veja fotos dos protestos contrários ao impeachment em São Paulo:


*Com informações Estadão Conteúdo

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