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Parecer do relator Antonio Anastasia, favorável ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, será votado nesta quinta-feira (4)

Agência Brasil

Votação do relatório do senador Antônio Anastasia deve ocorrer na próxima quinta-feira (4), a partir das 9h
André Dusek/Estadão Conteúdo - 03.08.2016
Votação do relatório do senador Antônio Anastasia deve ocorrer na próxima quinta-feira (4), a partir das 9h


A Comissão Especial do Impeachment concluiu no fim da tarde desta quarta-feira (3) a sessão de discussão do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que deu voto favorável ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff por crime de responsabilidade.

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A votação do relatório de Anastasia ocorrerá na próxima quinta-feira (4), a partir das 9h. Cada senador terá dois minutos para encaminhar o voto, que poderá ser pelo parecer do relator ou pelo voto em separado, apresentado pelos apoiadores de Dilma, no qual eles afirmam a inocência dela.

O advogado de acusação, João Correia Serra, elogiou o parecer de Anastasia e ressaltou o conhecido caráter “centralizador” da presidente afastada, que servem, segundo ele, para atestar a impossibilidade de que Dilma não tivesse conhecimento ou que não comandasse diretamente os atos pelos quais é acusada.

Cardozo afirmou ter certeza de que relatório de Anastasia não comprova que Dilma  tenha praticado crimes
Renato Costa/Estadão Conteúdo- 03.08.2016
Cardozo afirmou ter certeza de que relatório de Anastasia não comprova que Dilma tenha praticado crimes

“Não há como imaginar, sendo a presidente Dilma centralizadora e autoritária, como sempre se disse, não há como negar, porque isso é fato notório, que ela simplesmente ignorasse ou achasse que seus técnicos do Banco Central, do Banco do Brasil, da Secretaria do Tesouro Nacional, à sua revelia, teriam se juntado ao mesmo tempo numa ação concentrada para fazer uma ilegalidade gravíssima contra a Constituição. É claro que isso teve um comando, é inadmissível imaginar o contrário.”

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O advogado da defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo, afirmou ter certeza de que o relatório de Anastasia não comprova que a presidenta afastada tenha praticado crimes e acusou o relator de ter agido de maneira “apaixonada” ao escrever o parecer.

“Diante das provas dos autos, de tudo aquilo que foi provado pela perícia, pelas testemunhas, pelos documentos, eu tinha uma expectativa: conseguiria o senador Anastasia se libertar da paixão partidária e olhar os autos, olhar as provas, olhar direito? Conseguiria ele utilizar todo o potencial que sempre teve para buscar a verdade, ao invés de curvar-se à paixão? Com todas as vênias, o nobre relator, com toda a sua genialidade, não conseguiu isso; conseguiu defender, com o brilhantismo de praxe, a tese do seu partido, mas, efetivamente, ele não conseguiu reunir e captar a verdade desses autos”, afirmou Cardozo.

Presidente afastada, Dilma Rousseff, é acusada de abertura de créditos suplementares e da prática de pedaladas fiscais
Tiago Queiroz/ Estadão Conteúdo - 18.7.16
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Questão de ordem

Uma das principais defensoras da presidenta afastada na comissão, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), voltou a apresentar questão de ordem na reunião desta quarta. Ela pediu que fosse retirado do parecer de Anastasia o trecho que fazia menção ao depoimento de uma testemunha dispensada por problema de saúde.

“Não é justo com a testemunha pegar isso, uma testemunha que veio doente, que mal iniciou uma resposta e foi interrompida pelo advogado da defesa, que pediu a dispensa porque a testemunha não conseguiu sequer falar, na conclusão do único raciocínio que iniciava. Usar essa fala? Transcrever? Eu também não posso respeitar esse relatório, eu não posso”, disse a senadora.

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No entanto, a questão foi negada pelo presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), que alegou que, no episódio, a testemunha não foi acometida por doença que comprometesse o pleno exercício de suas “faculdades mentais” ou sua capacidade de raciocínio.

“O início de seu depoimento, portanto, compõe o acervo probatório dos autos, podendo ser considerado para todos os efeitos. Ademais, a mesma testemunha foi novamente inquirida em 20/06, dando continuidade ao seu depoimento completo”, afirmou o presidente, ao indeferir a questão.


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