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Ivan Cláudio Marx atribuiu ao petista papel de "chefe de organização criminosa"; denúncia foi recebida pela Justiça Federal. O ex-presidente tem 20 dias para apresentar sua defesa. Ele nega que tenha envolvimento no caso

Lula encaminhou ao Comitê de Direitos Humanos da ONU recurso para barrar ações que considera como
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula - 28.03.16
Lula encaminhou ao Comitê de Direitos Humanos da ONU recurso para barrar ações que considera como "abuso de poder"

O procurador da República Ivan Cláudio Marx atribuiu ao ex-presidente Lula o papel de "chefe de organização criminosa". O procurador denunciou o ex-presidente por obstrução da justiça.  A  denúncia foi recebida pela Justiça Federal em Brasília na sexta-feira (29). O ex-presidente tem 20 dias para apresentar sua defesa, mas ele nega envolvimento no caso.

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De acordo com o procurador, o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/Sem partido/MS) atribuiu a Lula o papel de "chefe da empreitada" para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que fechou acordo de delação. As investigação aponta que Delcídio do Amaral teve papel decisivo na denúncia contra o ex-presidente Lula . O ex-senador também fez delação premiada.

"A narrativa de Delcídio se demonstrou clara, plausível e, ainda corroborada pela existência das reuniões prévias que realizou com Lula antes de Bumlai passar a custear os valores destinados a comprar o silêncio de Cerveró. Ressalta-se que a existência das reuniões foi confirmada por Lula em seu Termo de Declarações prestado à Procuradoria-Geral da República", diz a denúncia subscrita pelo procurador Ivan Marx.  "A compra desse silêncio buscava também preservar Bumlai por crimes cometidos no interesse do Partido dos Trabalhadores, ocorridos enquanto Lula exercia, pelo PT, o mandato de Presidente da República", afirma o procurador.

O esquema envolveria o pecuarista José Carlos Bumlai , amigo do ex-presidente e preso na Lava Jato desde 24 de novembro de 2015. O temor do grupo era que Cerveró pudesse incriminar Bumlai no esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

Segundo a denúncia, com o avanço das investigações da Operação Lava Jato sobre "o esquema criminoso", a primeira tentativa de barrar as investigações passou pela compra do silêncio de possíveis delatores do esquema.

"Os diálogos apontam que, no início do ano de 2016, momento em que Cerveró já havia acordado sua colaboração premiada, Lula atuou diretamente com o objetivo de interferir no trabalho do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Ministério da Justiça, seja no âmbito da Justiça de São Paulo, seja do Supremo Tribunal Federal ou mesmo da Procuradoria-Geral da República", aponta a denúncia. 

"Toda essa situação vem reforçar a confiabilidade da narrativa de Delcídio do Amaral", diz a denúncia. "Não se pode desconsiderar que, em uma organização criminosa, o chefe sempre restará na penumbra, protegido", finaliza.

Segundo o procurador da república, "o chefe da organização criminosa" está sendo procurado em investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República.

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Depoimento de Delcídio do Amaral

Em seu depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República,o ex-presidente nega ter participado da trama para comprar silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

O senador é autor da delação que levou à denúncia contra Lula.


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